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Esfera de influência: como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana

2017.08.11 21:54 feedreddit Esfera de influência: como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana

Esfera de influência: como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana
by Lee Fang via The Intercept
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Para Alejandro Chafuen, a reunião desta primavera no Brick Hotel, em Buenos Aires, foi tanto uma volta para casa quanto uma volta olímpica. Chafuen, um esguio argentino-americano, passou a vida adulta se dedicando a combater os movimentos sociais e governos de esquerda das Américas do Sul e Central, substituindo-os por uma versão pró-empresariado do libertarianismo.
Ele lutou sozinho durante décadas, mas isso está mudando. Chafuen estava rodeado de amigos no Latin America Liberty Forum 2017. Essa reunião internacional de ativistas libertários foi patrocinada pela Atlas Economic Research Foundation, uma organização sem fins lucrativos conhecida como Atlas Network (Rede Atlas), que Chafuen dirige desde 1991. No Brick Hotel, ele festejou as vitórias recentes; seus anos de trabalho estavam começando a render frutos – graças às circunstâncias políticas e econômicas e à rede de ativistas que Chafuen se esforçou tanto para criar.
Nos últimos 10 anos, os governos de esquerda usaram “dinheiro para comprar votos, para redistribuir”, diz Chaufen, confortavelmente sentado no saguão do hotel. Mas a recente queda do preço das commodities, aliada a escândalos de corrupção, proporcionou uma oportunidade de ação para os grupos da Atlas Network. “Surgiu uma abertura – uma crise – e uma demanda por mudanças, e nós tínhamos pessoas treinadas para pressionar por certas políticas”, observa Chafuen, parafraseando o falecido Milton Friedman. “No nosso caso, preferimos soluções privadas aos problemas públicos”, acrescenta.
Chafuen cita diversos líderes ligados à Atlas que conseguiram ganhar notoriedade: ministros do governo conservador argentino, senadores bolivianos e líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), que ajudaram a derrubar a presidente Dilma Rousseff – um exemplo vivo dos frutos do trabalho da rede Atlas, que Chafuen testemunhou em primeira mão.
“Estive nas manifestações no Brasil e pensei: ‘Nossa, aquele cara tinha uns 17 anos quando o conheci, e agora está ali no trio elétrico liderando o protesto. Incrível!’”, diz, empolgado. É a mesma animação de membros da Atlas quando o encontram em Buenos Aires; a tietagem é constante no saguão do hotel. Para muitos deles, Chafuen é uma mistura de mentor, patrocinador fiscal e verdadeiro símbolo da luta por um novo paradigma político em seus países.
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, à esquerda, dentro de um carro em direção ao aeroporto, onde pegaria um voo para a Nicarágua nos arredores de San José. Domingo, 28 de junho de 2009.
Foto: Kent Gilbert/AP
Uma guinada à direita está em marcha na política latino-americana, destronando os governos socialistas que foram a marca do continente durante boa parte do século XXI – de Cristina Kirchner, na Argentina, ao defensor da reforma agrária e populista Manuel Zelaya, em Honduras –, que implementaram políticas a favor dos pobres, nacionalizaram empresas e desafiaram a hegemonia dos EUA no continente. Essa alteração pode parecer apenas parte de um reequilíbrio regional causado pela conjuntura econômica, porém a Atlas Network parece estar sempre presente, tentando influenciar o curso das mudanças políticas.
A história da Atlas Network e seu profundo impacto na ideologia e no poder político nunca foi contada na íntegra. Mas os registros de suas atividades em três continentes, bem como as entrevistas com líderes libertários na América Latina, revelam o alcance de sua influência. A rede libertária, que conseguiu alterar o poder político em diversos países, também é uma extensão tácita da política externa dos EUA – os _think tanks_associados à Atlas são discretamente financiados pelo Departamento de Estado e o National Endowment for Democracy (Fundação Nacional para a Democracia – NED), braço crucial do _soft power_norte-americano.
Embora análises recentes tenham revelado o papel de poderosos bilionários conservadores – como os irmãos Koch – no desenvolvimento de uma versão pró-empresariado do libertarianismo, a Atlas Network – que também é financiada pelas fundações Koch – tem usado métodos criados no mundo desenvolvido, reproduzindo-os em países em desenvolvimento. A rede é extensa, contando atualmente com parcerias com 450 _think tanks_em todo o mundo. A Atlas afirma ter gasto mais de US$ 5 milhões com seus parceiros apenas em 2016.
Ao longo dos anos, a Atlas e suas fundações caritativas associadas realizaram centenas de doações para _think tanks_conservadores e defensores do livre mercado na América Latina, inclusive a rede que apoiou o Movimento Brasil Livre (MBL) e organizações que participaram da ofensiva libertária na Argentina, como a Fundação Pensar, um _think tank_da Atlas que se incorporou ao partido criado por Mauricio Macri, um homem de negócios e atual presidente do país. Os líderes do MBL e o fundador da Fundação Eléutera – um _think tank_neoliberal extremamente influente no cenário pós-golpe hondurenho – receberam financiamento da Atlas e fazem parte da nova geração de atores políticos que já passaram pelos seus seminários de treinamento.
A Atlas Network conta com dezenas de _think tanks_na América Latina, inclusive grupos extremamente ativos no apoio às forças de oposição na Venezuela e ao candidato de centro-direita às eleições presidenciais chilenas, Sebastián Piñera.
Protesto a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff diante do Congresso Nacional, em Brasília, no dia 2 de dezembro de 2015.
Photo: Eraldo Peres/AP
Em nenhum outro lugar a estratégia da Atlas foi tão bem sintetizada quanto na recém-formada rede brasileira de _think tanks_de defesa do livre mercado. Os novos institutos trabalham juntos para fomentar o descontentamento com as políticas socialistas; alguns criam centros acadêmicos enquanto outros treinam ativistas e travam uma guerra constante contra as ideias de esquerda na mídia brasileira.
O esforço para direcionar a raiva da população contra a esquerda rendeu frutos para a direita brasileira no ano passado. Os jovens ativistas do MBL – muitos deles treinados em organização política nos EUA – lideraram um movimento de massa para canalizar a o descontentamento popular com um grande escândalo de corrupção para desestabilizar Dilma Rousseff, uma presidente de centro-esquerda. O escândalo, investigado por uma operação batizada de Lava-Jato, continua tendo desdobramentos, envolvendo líderes de todos os grandes partidos políticos brasileiros, inclusive à direita e centro-direita. Mas o MBL soube usar muito bem as redes sociais para direcionar a maior parte da revolta contra Dilma, exigindo o seu afastamento e o fim das políticas de bem-estar social implementadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
A revolta – que foi comparada ao movimento Tea Party devido ao apoio tácito dos conglomerados industriais locais e a uma nova rede de atores midiáticos de extrema-direita e tendências conspiratórias – conseguiu interromper 13 anos de dominação do PT ao afastar Dilma do cargo por meio de um impeachment em 2016.
O cenário político do qual surgiu o MBL é uma novidade no Brasil. Havia no máximo três _think tanks_libertários em atividade no país dez anos atrás, segundo Hélio Beltrão, um ex-executivo de um fundo de investimentos de alto risco que agora dirige o Instituto Mises, uma organização sem fins lucrativos que recebeu o nome do filósofo libertário Ludwig von Mises. Ele diz que, com o apoio da Atlas, agora existem cerca de 30 institutos agindo e colaborando entre si no Brasil, como o Estudantes pela Liberdade e o MBL.
“É como um time de futebol; a defesa é a academia, e os políticos são os atacantes. E já marcamos alguns gols”, diz Beltrão, referindo-se ao impeachment de Dilma. O meio de campo seria “o pessoal da cultura”, aqueles que formam a opinião pública.
Beltrão explica que a rede de _think tanks_está pressionando pela privatização dos Correios, que ele descreve como “uma fruta pronta para ser colhida” e que pode conduzir a uma onda de reformas mais abrangentes em favor do livre mercado. Muitos partidos conservadores brasileiros acolheram os ativistas libertários quando estes demonstraram que eram capazes de mobilizar centenas de milhares de pessoas nos protestos contra Dilma, mas ainda não adotaram as teorias da “economia do lado da oferta”.
Fernando Schüler, acadêmico e colunista associado ao Instituto Millenium – outro _think tank_da Atlas no Brasil – tem uma outra abordagem. “O Brasil tem 17 mil sindicatos pagos com dinheiro público. Um dia de salário por ano vai para os sindicatos, que são completamente controlados pela esquerda”, diz. A única maneira de reverter a tendência socialista seria superá-la no jogo de manobras políticas. “Com a tecnologia, as pessoas poderiam participar diretamente, organizando – no WhatsApp, Facebook e YouTube – uma espécie de manifestação pública de baixo custo”, acrescenta, descrevendo a forma de mobilização de protestos dos libertários contra políticos de esquerda. Os organizadores das manifestações anti-Dilma produziram uma torrente diária de vídeos no YouTube para ridicularizar o governo do PT e criaram um placar interativo para incentivar os cidadãos a pressionarem seus deputados por votos de apoio ao impeachment.
Schüler notou que, embora o MBL e seu próprio _think tank_fossem apoiados por associações industriais locais, o sucesso do movimento se devia parcialmente à sua não identificação com partidos políticos tradicionais, em sua maioria vistos com maus olhos pela população. Ele argumenta que a única forma de reformar radicalmente a sociedade e reverter o apoio popular ao Estado de bem-estar social é travar uma guerra cultural permanente para confrontar os intelectuais e a mídia de esquerda.
Fernando Schüler.Foto:captura de tela do YouTubeUm dos fundadores do Instituto Millenium, o blogueiro Rodrigo Constantino, polariza a política brasileira com uma retórica ultrassectária. Constantino, que já foi chamado de “o Breitbart brasileiro” devido a suas teorias conspiratórias e seus comentários de teor radicalmente direitistas, é presidente do conselho deliberativo de outro _think tank_da Atlas – o Instituto Liberal. Ele enxerga uma tentativa velada de minar a democracia em cada movimento da esquerda brasileira, do uso da cor vermelha na logomarca da Copa do Mundo ao Bolsa Família, um programa de transferência de renda. Constantino é considerado o responsável pela popularização de uma narrativa segundo a qual os defensores do PT seriam uma “esquerda caviar”, ricos hipócritas que abraçam o socialismo para se sentirem moralmente superiores, mas que na realidade desprezam as classes trabalhadoras que afirmam representar. A “breitbartização” do discurso é apenas uma das muitas formas sutis pelas quais a Atlas Network tem influenciado o debate político.
“Temos um Estado muito paternalista. É incrível. Há muito controle estatal, e mudar isso é um desafio de longo prazo”, diz Schüler, acresentando que, apesar das vitórias recentes, os libertários ainda têm um longo caminho pela frente no Brasil. Ele gostaria de copiar o modelo de Margaret Thatcher, que se apoiava em uma rede de _think tanks_libertários para implementar reformas impopulares. “O sistema previdenciário é absurdo, e eu privatizaria toda a educação”, diz Schüler, pondo-se a recitar toda a litania de mudanças que faria na sociedade, do corte do financiamento a sindicatos ao fim do voto obrigatório.
Mas a única maneira de tornar tudo isso possível, segundo ele, seria a formação de uma rede politicamente engajada de organizações sem fins lucrativos para defender os objetivos libertários. Para Schüler, o modelo atual – uma constelação de _think tanks_em Washington sustentada por vultosas doações – seria o único caminho para o Brasil.
E é exatamente isso que a Atlas tem se esforçado para fazer. Ela oferece subvenções a novos _think tanks_e cursos sobre gestão política e relações públicas, patrocina eventos de _networking_no mundo todo e, nos últimos anos, tem estimulado libertários a tentar influenciar a opinião pública por meio das redes sociais e vídeos online.
Uma competição anual incentiva os membros da Atlas a produzir vídeos que viralizem no YouTube promovendo o _laissez-faire_e ridicularizando os defensores do Estado de bem-estar social. James O’Keefe, provocador famoso por alfinetar o Partido Democrata americano com vídeos gravados em segredo, foi convidado pela Atlas para ensinar seus métodos. No estado americano do Wisconsin, um grupo de produtores que publicava vídeos na internet para denegrir protestos de professores contra o ataque do governador Scott Walker aos sindicatos do setor público também compartilharam sua experiência nos cursos da Atlas.
Manifestantes queimam um boneco do presidente Hugo Chávez na Plaza Altamira, em protesto contra o governo.
Foto: Lonely Planet Images/Getty Images
Em uma de suas últimas realizações, a Atlas influenciou uma das crises políticas e humanitárias mais graves da América Latina: a venezuelana. Documentos obtidos graças ao “Freedom of Information Act” (Lei da Livre Informação, em tradução livre) por simpatizantes do governo venezuelano – bem como certos telegramas do Departamento de Estado dos EUA vazados por Chelsea Manning – revelam uma complexo tentativa do governo americano de usar os _think tanks_da Atlas em uma campanha para desestabilizar o governo de Hugo Chávez. Em 1998, a CEDICE Libertad – principal organização afiliada à Atlas em Caracas, capital da Venezuela – já recebia apoio financeiro do Center for International Private Enterprise (Centro para a Empresa Privada Internacional – CIPE). Em uma carta de financiamento do NED, os recursos são descritos como uma ajuda para “a mudança de governo”. O diretor da CEDICE foi um dos signatários do controverso “Decreto Carmona” em apoio ao malsucedido golpe militar contra Chávez em 2002.
Um telegrama de 2006 descrevia a estratégia do embaixador americano, William Brownfield, de financiar organizações politicamente engajadas na Venezuela: “1) Fortalecer instituições democráticas; 2) penetrar na base política de Chávez; 3) dividir o chavismo; 4) proteger negócios vitais para os EUA, e 5) isolar Chávez internacionalmente.”
Na atual crise venezuelana, a CEDICE tem promovido a recente avalanche de protestos contra o presidente Nicolás Maduro, o acossado sucessor de Chávez. A CEDICE está intimamente ligada à figura da oposicionista María Corina Machado, uma das líderes das manifestações em massa contra o governo dos últimos meses. Machado já agradeceu publicamente à Atlas pelo seu trabalho. Em um vídeo enviado ao grupo em 2014, ela diz: “Obrigada à Atlas Network e a todos os que lutam pela liberdade.”
Em 2014, a líder opositora María Corina Machado agradeceu à Atlas pelo seu trabalho: “Obrigada à Atlas Network e a todos os que lutam pela liberdade.”No Latin America Liberty Forum, organizado pela Atlas Network em Buenos Aires, jovens líderes compartilham ideias sobre como derrotar o socialismo em todos os lugares, dos debates em _campi_universitários a mobilizações nacionais a favor de um impeachment.
Em uma das atividades do fórum, “empreendedores” políticos de Peru, República Dominicana e Honduras competem em um formato parecido com o programa Shark Tank, um _reality show_americano em que novas empresas tentam conquistar ricos e impiedosos investidores. Mas, em vez de buscar financiamento junto a um painel de capitalistas de risco, esses diretores de _think tanks_tentam vender suas ideias de marketing político para conquistar um prêmio de US$ 5 mil. Em outro encontro, debatem-se estratégias para atrair o apoio do setor industrial às reformas econômicas. Em outra sala, ativistas políticos discutem possíveis argumentos que os “amantes da liberdade” podem usar para combater o crescimento do populismo e “canalizar o sentimento de injustiça de muitos” para atingir os objetivos do livre mercado.
Um jovem líder da Cadal, um _think tank_de Buenos Aires, deu a ideia de classificar as províncias argentinas de acordo com o que chamou de “índice de liberdade econômica” – levando em conta a carga tributária e regulatória como critérios principais –, o que segundo ela geraria um estímulo para a pressão popular por reformas de livre mercado. Tal ideia é claramente baseada em estratégias similares aplicadas nos EUA, como o Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, que classifica os países de acordo com critérios como política tributária e barreiras regulatórias aos negócios.
Os _think tanks_são tradicionalmente vistos como institutos independentes que tentam desenvolver soluções não convencionais. Mas o modelo da Atlas se preocupa menos com a formulação de novas soluções e mais com o estabelecimento de organizações políticas disfarçadas de instituições acadêmicas, em um esforço para conquistar a adesão do público.
As ideias de livre mercado – redução de impostos sobre os mais ricos; enxugamento do setor público e privatizações; liberalização das regras de comércio e restrições aos sindicatos – sempre tiveram um problema de popularidade. Os defensores dessa corrente de pensamento perceberam que o eleitorado costuma ver essas ideias como uma maneira de favorecer as camadas mais ricas. E reposicionar o libertarianismo econômico como uma ideologia de interesse público exige complexas estratégias de persuasão em massa.
Mas o modelo da Atlas, que está se espalhando rapidamente pela América Latina, baseia-se em um método aperfeiçoado durante décadas de embates nos EUA e no Reino Unido, onde os libertários se esforçaram para conter o avanço do Estado de bem-estar social do pós-guerra.
Mapa das organizações da rede Atlas na América do Sul.
Fonte: The Intercept
Antony Fisher, empreendedor britânico e fundador da Atlas Network, é um pioneiro na venda do libertarianismo econômico à opinião pública. A estratégia era simples: nas palavras de um colega de Fisher, a missão era “encher o mundo de _think tanks_que defendam o livre mercado”.
A base das ideias de Fisher vêm de Friedrich Hayek, um dos pais da defesa do Estado mínimo. Em 1946, depois de ler um resumo do livro seminal de Hayek, O Caminho da Servidão, Fisher quis se encontrar com o economista austríaco em Londres. Segundo seu colega John Blundell, Fisher sugeriu que Hayek entrasse para a política. Mas Hayek se recusou, dizendo que uma abordagem de baixo para cima tinha mais chances de alterar a opinião pública e reformar a sociedade.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, outro ideólogo do livre mercado, Leonard Read, chegava a conclusões parecidas depois de ter dirigido a Câmara de Comércio de Los Angeles, onde batera de frente com o sindicalismo. Para deter o crescimento do Estado de bem-estar social, seria necessária uma ação mais elaborada no sentido de influenciar o debate público sobre os destinos da sociedade, mas sem revelar a ligação de tal estratégia com os interesses do capital.
Fisher animou-se com uma visita à organização recém-fundada por Read, a Foundation for Economic Education (Fundação para a Educação Econômica – FEE), em Nova York, criada para patrocinar e promover as ideias liberais. Nesse encontro, o economista libertário F.A. Harper, que trabalhava na FEE à epoca, orientou Fisher sobre como abrir a sua própria organização sem fins lucrativos no Reino Unido.
Durante a viagem, Fisher e Harper foram à Cornell University para conhecer a última novidade da indústria animal: 15 mil galinhas armazenadas em uma única estrutura. Fisher decidiu levar o invento para o Reino Unido. Sua fábrica, a Buxted Chickens, logo prosperou e trouxe grande fortuna para Fisher. Uma parte dos lucros foi direcionada à realização de outro objetivo surgido durante a viagem a Nova York – em 1955, Fisher funda o Institute of Economic Affairs (Instituto de Assuntos Econômicos – IEA).
O IEA ajudou a popularizar os até então obscuros economistas ligados às ideias de Hayek. O instituto era um baluarte de oposição ao crescente Estado de bem-estar social britânico, colocando jornalistas em contato com acadêmicos defensores do livre mercado e disseminando críticas constantes sob a forma de artigos de opinião, entrevistas de rádio e conferências.
A maior parte do financiamento do IEA vinha de empresas privadas, como os gigantes do setor bancário e industrial Barclays e British Petroleum, que contribuíam anualmente. No livro Making Thatcher’s Britain(A Construção da Grã-Bretanha de Thatcher, em tradução livre), dos historiadores Ben Jackson e Robert Saunders, um magnata dos transportes afirma que, assim como as universidades forneciam munição para os sindicatos, o IEA era uma importante fonte de poder de fogo para os empresários.
Quando a desaceleração econômica e o aumento da inflação dos anos 1970 abalou os fundamentos da sociedade britânica, políticos conservadores começaram a se aproximar do IEA como fonte de uma visão alternativa. O instituto aproveitou a oportunidade e passou a oferecer plataformas para que os políticos pudessem levar os conceitos do livre mercado para a opinião pública. A Atlas Network afirma orgulhosamente que o IEA “estabeleceu as bases intelectuais do que viria a ser a revolução de Thatcher nos anos 1980”. A equipe do instituto escrevia discursos para Margaret Thatcher; fornecia material de campanha na forma de artigos sobre temas como sindicalismo e controle de preços; e rebatia as críticas à Dama de Ferro na mídia inglesa. Em uma carta a Fisher depois de vencer as eleições de 1979, Thatcher afirmou que o IEA havia criado, na opinião pública, “o ambiente propício para a nossa vitória”.
“Não há dúvidas de que tivemos um grande avanço na Grã-Bretanha. O IEA, fundado por Antony Fisher, fez toda a diferença”, disse Milton Friedman uma vez. “Ele possibilitou o governo de Margaret Thatcher – não a sua eleição como primeira-ministra, e sim as políticas postas em prática por ela. Da mesma forma, o desenvolvimento desse tipo de pensamento nos EUA possibilitou o a implementação das políticas de Ronald Reagan”, afirmou.
O IEA fechava um ciclo. Hayek havia criado um seleto grupo de economistas defensores do livre mercado chamado Sociedade Mont Pèlerin. Um de seus membros, Ed Feulner, ajudou o fundar o _think tank_conservador Heritage Foundation, em Washington, inspirando-se no trabalho de Fisher. Outro membro da Sociedade, Ed Crane, fundou o Cato Institute, o mais influente _think tank_libertário dos Estados Unidos.
_O filósofo e economista anglo-austríaco Friedrich Hayek com um grupo de alunos na London School of Economics, em 1948._Foto: Paul PoppePopperfoto/Getty Images
Em 1981, Fisher, que havia se mudado para San Francisco, começou a desenvolver a Atlas Economic Research Foundation por sugestão de Hayek. Fisher havia aproveitado o sucesso do IEA para conseguir doações de empresas para seu projeto de criação de uma rede regional de _think tanks_em Nova York, Canadá, Califórnia e Texas, entre outros. Mas o novo empreendimento de Fisher viria a ter uma dimensão global: uma organização sem fins lucrativos dedicada a levar sua missão adiante por meio da criação de postos avançados do libertarianismo em todos os países do mundo. “Quanto mais institutos existirem no mundo, mais oportunidade teremos para resolver problemas que precisam de uma solução urgente”, declarou.
Fisher começou a levantar fundos junto a empresas com a ajuda de cartas de recomendação de Hayek, Thatcher e Friedman, instando os potenciais doadores a ajudarem a reproduzir o sucesso do IEA através da Atlas. Hayek escreveu que o modelo do IEA “deveria ser usado para criar institutos similares em todo o mundo”. E acrescentou: “Se conseguíssemos financiar essa iniciativa conjunta, seria um dinheiro muito bem gasto.”
A proposta foi enviada para uma lista de executivos importantes, e o dinheiro logo começou a fluir dos cofres das empresas e dos grandes financiadores do Partido Republicano, como Richard Mellon Scaife. Empresas como a Pfizer, Procter & Gamble e Shell ajudaram a financiar a Atlas. Mas a contribuição delas teria que ser secreta para que o projeto pudesse funcionar, acreditava Fisher. “Para influenciar a opinião pública, é necessário evitar qualquer indício de interesses corporativos ou tentativa de doutrinação”, escreveu Fisher na descrição do projeto, acrescentando que o sucesso do IEA estava baseado na percepção pública do caráter acadêmico e imparcial do instituto.
A Atlas cresceu rapidamente. Em 1985, a rede contava com 27 instituições em 17 países, inclusive organizações sem fins lucrativos na Itália, México, Austrália e Peru.
E o _timing_não podia ser melhor: a expansão internacional da Atlas coincidiu com a política externa agressiva de Ronald Reagan contra governos de esquerda mundo afora.
Embora a Atlas declarasse publicamente que não recebia recursos públicos (Fisher caracterizava as ajudas internacionais como uma forma de “suborno” que distorcia as forças do mercado), há registros da tentativa silenciosa da rede de canalizar dinheiro público para sua lista cada vez maior de parceiros internacionais.
Em 1982, em uma carta da Agência de Comunicação Internacional dos EUA – um pequeno órgão federal destinado a promover os interesses americanos no exterior –, um funcionário do Escritório de Programas do Setor Privado escreveu a Fisher em resposta a um pedido de financiamento federal. O funcionário diz não poder dar dinheiro “diretamente a organizações estrangeiras”, mas que seria possível copatrocinar “conferências ou intercâmbios com organizações” de grupos como a Atlas, e sugere que Fisher envie um projeto. A carta, enviada um ano depois da fundação da Atlas, foi o primeiro indício de que a rede viria a ser uma parceira secreta da política externa norte-americana.
Memorandos e outros documentos de Fisher mostram que, em 1986, a Atlas já havia ajudado a organizar encontros com executivos para tentar direcionar fundos americanos para sua rede de think tanks. Em uma ocasião, um funcionário da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), o principal braço de financiamento internacional do governo dos EUA, recomendou que o diretor da filial da Coca-Cola no Panamá colaborasse com a Atlas para a criação de um _think tank_nos moldes do IEA no país. A Atlas também recebeu fundos da Fundação Nacional para a Democracia (NED), uma organização sem fins lucrativos fundada em 1983 e patrocinada em grande parte pelo Departamento de Estado e a USAID cujo objetivo é fomentar a criação de instituições favoráveis aos EUA nos países em desenvolvimento.
Alejandro Chafuen, da Atlas Economic Research Foundation, atrás à direita, cumprimenta Rafael Alonzo, do Centro de Divulgação do Conhecimento Econômico para a Liberdade (CEDICE Libertad), à esquerda, enquanto o escritor peruano Mario Vargas Llosa aplaude a abertura do Fórum Liberdade e Democracia, em Caracas, no dia 28 de maio de 2009.
Foto: Ariana Cubillos/AP
_ _Financiada generosamente por empresas e pelo governo americano, a Atlas deu outro golpe de sorte em 1985 com a chegada de Alejandro Chafuen. Linda Whetstone, filha de Fisher, conta um episódio ocorrido naquele ano, quando um jovem Chafuen, que ainda vivia em Oakland, teria aparecido no escritório da Atlas em San Francisco “disposto a trabalhar de graça”. Nascido em Buenos Aires, Chafuen vinha do que ele chamava “uma família anti-Peronista”. Embora tenha crescido em uma época de grande agitação na Argentina, Chafuen vivia uma vida relativamente privilegiada, tendo passado a adolescência jogando tênis e sonhando em se tornar atleta profissional.
Ele atribui suas escolhas ideológicas a seu apetite por textos libertários, de Ayn Rand a livretos publicados pela FEE, a organização de Leonard Read que havia inspirado Antony Fisher. Depois de estudar no Grove City College, uma escola de artes profundamente conservadora e cristã no estado americano da Pensilvânia, onde foi presidente do clube de estudantes libertários, Chafuen voltou ao país de nascença. Os militares haviam tomado o poder, alegando estar reagindo a uma suposta ameaça comunista. Milhares de estudantes e ativistas seriam torturados e mortos durante a repressão à oposição de esquerda no período que se seguiu ao golpe de Estado.
Chafuen recorda essa época de maneira mais positiva do que negativa. Ele viria a escrever que os militares haviam sido obrigados a agir para evitar que os comunistas “tomassem o poder no país”. Durante sua carreira como professor, Chafuen diz ter conhecido “totalitários de todo tipo” no mundo acadêmico. Segundo ele, depois do golpe militar seus professores “abrandaram-se”, apesar das diferenças ideológicas entre eles.
Em outros países latino-americanos, o libertarianismo também encontrara uma audiência receptiva nos governos militares. No Chile, depois da derrubada do governo democraticamente eleito de Salvador Allende, os economistas da Sociedade Mont Pèlerin acorreram ao país para preparar profundas reformas liberais, como a privatização de indústrias e da Previdência. Em toda a região, sob a proteção de líderes militares levados ao poder pela força, as políticas econômicas libertárias começaram a se enraizar.
Já o zelo ideológico de Chafuen começou a se manifestar em 1979, quando ele publicou um ensaio para a FEE intitulado “War Without End” (Guerra Sem Fim). Nele, Chafuen descreve horrores do terrorismo de esquerda “como a família Manson, ou, de forma organizada, os guerrilheiros do Oriente Médio, África e América do Sul”. Haveria uma necessidade, segundo ele, de uma reação das “forças da liberdade individual e da propriedade privada”.
Seu entusiasmo atraiu a atenção de muita gente. Em 1980, aos 26 anos, Chafuen foi convidado a se tornar o membro mais jovem da Sociedade Mont Pèlerin. Ele foi até Stanford, tendo a oportunidade de conhecer Read, Hayek e outros expoentes libertários. Cinco anos depois, Chafuen havia se casado com uma americana e estava morando em Oakland. E começou a fazer contato com membros da Mont Pèlerin na área da Baía de San Francisco – como Fisher.
Em toda a região, sob a proteção de líderes militares levados ao poder pela força, as políticas econômicas libertárias começaram a se enraizar.De acordo com as atas das reuniões do conselho da Atlas, Fisher disse aos colegas que havia feito um pagamento _ex gratia_no valor de US$ 500 para Chafuen no Natal de 1985, declarando que gostaria de contratar o economista para trabalhar em tempo integral no desenvolvimento dos _think tanks_da rede na América Latina. No ano seguinte, Chafuen organizou a primeira cúpula de _think tanks_latino-americanos, na Jamaica.
Chafuen compreendera o modelo da Atlas e trabalhava incansavelmente para expandir a rede, ajudando a criar _think tanks_na África e na Europa, embora seu foco continuasse sendo a América Latina. Em uma palestra sobre como atrair financiadores, Chafuen afirmou que os doadores não podiam financiar publicamente pesquisas, sob o risco de perda de credibilidade. “A Pfizer não patrocinaria uma pesquisa sobre questões de saúde, e a Exxon não financiaria uma enquete sobre questões ambientais”, observou. Mas os _think tanks_libertários – como os da Atlas Network –não só poderiam apresentar as mesmas pesquisas sob um manto de credibilidade como também poderiam atrair uma cobertura maior da mídia.
“Os jornalistas gostam muito de tudo o que é novo e fácil de noticiar”, disse Chafuen. Segundo ele, a imprensa não tem interesse em citar o pensamento dos filósofos libertários, mas pesquisas produzidas por um _think tank_são mais facilmente reproduzidas. “E os financiadores veem isso”, acrescenta.
Em 1991, três anos depois da morte de Fisher, Chafuen assumiu a direção da Atlas – e pôs-se a falar sobre o trabalho da Atlas para potenciais doadores. E logo começou a conquistar novos financiadores. A Philip Morris deu repetidas contribuições à Atlas, inclusive uma doação de US$ 50 mil em 1994, revelada anos depois. Documentos mostram que a gigante do tabaco considerava a Atlas uma aliada em disputas jurídicas internacionais.
Mas alguns jornalistas chilenos descobriram que _think tanks_patrocinados pela Atlas haviam feito pressão por trás dos panos contra a legislação antitabagista sem revelar que estavam sendo financiadas por empresas de tabaco – uma estratégia praticada por _think tanks_em todo o mundo.
Grandes corporações como ExxonMobil e MasterCard já financiaram a Atlas. Mas o grupo também atrai grandes figuras do libertarianismo, como as fundações do investidor John Templeton e dos irmãos bilionários Charles e David Koch, que cobriam a Atlas e seus parceiros de generosas e frequentes doações. A habilidade de Chafuen para levantar fundos resultou em um aumento do número de prósperas fundações conservadoras. Ele é membro-fundador do Donors Trust, um discreto fundo orientado ao financiamento de organizações sem fins lucrativos que já transferiu mais de US$ 400 milhões a entidades libertárias, incluindo membros da Atlas Network. Chafuen também é membro do conselho diretor da Chase Foundation of Virginia, outra entidade financiadora da Atlas, fundada por um membro da Sociedade Mont Pèlerin.
Outra grande fonte de dinheiro é o governo americano. A princípio, a Fundação Nacional para a Democracia encontrou dificuldades para criar entidades favoráveis aos interesses americanos no exterior. Gerardo Bongiovanni, presidente da Fundación Libertad, um _think tank_da Atlas em Rosario, na Argentina, afirmou durante uma palestra de Chafuen que a injeção de capital do Center for International Private Enterprise – parceiro do NED no ramo de subvenções – fora de apenas US$ 1 milhão entre 1985 e 1987. Os _think tanks_que receberam esse capital inicial logo fecharam as portas, alegando falta de treinamento em gestão, segundo Bongiovanni.
No entanto, a Atlas acabou conseguindo canalizar os fundos que vinham do NED e do CIPE, transformando o dinheiro do contribuinte americano em uma importante fonte de financiamento para uma rede cada vez maior. Os recursos ajudavam a manter _think tanks_na Europa do Leste, após a queda da União Soviética, e, mais tarde, para promover os interesses dos EUA no Oriente Médio. Entre os beneficiados com dinheiro do CIPE está a CEDICE Libertad, a entidade a que líder opositora venezuelana María Corina Machado fez questão de agradecer.
O assessor da Casa Branca Sebastian Gorka participa de uma entrevista do lado de fora da Ala Oeste da Casa Branca em 9 de junho de 2017 – Washington, EUA.
Foto: Chip Somodevilla/Getty Images
_ _No Brick Hotel, em Buenos Aires, Chafuen reflete sobre as três últimas décadas. “Fisher ficaria satisfeito; ele não acreditaria em quanto nossa rede cresceu”, afirma, observando que talvez o fundador da Atlas ficasse surpreso com o atual grau de envolvimento político do grupo.
Chafuen se animou com a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA. Ele é só elogios para a equipe do presidente. O que não é nenhuma surpresa, pois o governo Trump está cheio de amigos e membros de grupos ligados à Atlas. Sebastian Gorka, o islamofóbico assessor de contraterrorismo de Trump, dirigiu um _think tank_patrocinado pela Atlas na Hungria. O vice-presidente Mike Pence compareceu a um encontro da Atlas e teceu elogios ao grupo. A secretária de Educação Betsy DeVos trabalhou com Chafuen no Acton Institute, um _think tank_de Michigan que usa argumentos religiosos a favor das políticas libertárias – e que agora tem uma entidade subsidiária no Brasil, o Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista. Mas talvez a figura mais admirada por Chafuen no governo dos EUA seja Judy Shelton, uma economista e velha companheira da Atlas Network. Depois da vitória de Trump, Shelton foi nomeada presidente da NED. Ela havia sido assessora de Trump durante a campanha e o período de transição. Chafuen fica radiante ao falar sobre o assunto: “E agora tem gente da Atlas na presidência da Fundação Nacional para a Democracia (NED)”, comemora.
Antes de encerrar a entrevista, Chafuen sugere que ainda vem mais por aí: mais think tanks, mais tentativas de derrubar governos de esquerda, e mais pessoas ligadas à Atlas nos cargos mais altos de governos ao redor do mundo. “É um trabalho contínuo”, diz.
Mais tarde, Chafuen compareceu ao jantar de gala do Latin America Liberty Forum. Ao lado de um painel de especialistas da Atlas, ele discutiu a necessidade de reforçar os movimentos de oposição libertária no Equador e na Venezuela.
Danielle Mackey contribuiu na pesquisa para essa matéria. Tradução: Bernardo Tonasse
The post Esfera de influência: como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana appeared first on The Intercept.
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2016.11.19 22:52 ShaunaDorothy ¡Defender las conquistas de la Revolución Cubana! El régimen de Castro da la bienvenida al reaccionario Vaticano

https://archive.is/IHDQa
Espartaco No. 46 Octubre de 2016
¡Defender las conquistas de la Revolución Cubana!
El régimen de Castro da la bienvenida al reaccionario Vaticano
Traducido de Workers Vanguard No. 1077 (30 de octubre de 2015).
Al menos 100 mil cubanos se dieron cita en la Plaza de la Revolución de La Habana el 20 de septiembre [de 2015] para asistir a una misa católica presidida por el argentino Jorge Bergoglio (el papa Francisco). Uno de los lados de esta amplia plaza ostenta un enorme retrato del Che Guevara, el héroe de la Revolución Cubana asesinado con ayuda de la CIA en Bolivia en 1967. En el lado opuesto, fue colocado un gran póster mostrando a Jesús con las palabras “Vengan a mí”. Raúl Castro, el dirigente del Partido Comunista Cubano (PCC) en el poder, se sentó en primera fila y asistió a otras misas papales en las ciudades de Holguín y Santiago en los días sucesivos. El papa también tuvo una reunión de media hora con el hermano y predecesor de Raúl, Fidel, de 89 años, que un portavoz del Vaticano describió como “muy informal y amigable”.
Voice of America, órgano de propaganda de la CIA, celebró a Francisco por advertir al pueblo cubano contra “los peligros de la ideología” (voanews.com, 20 de septiembre de 2015). Por su parte, la dirección del Partido Comunista instó a los cubanos a asistir a las misas papales y ordenó su transmisión en vivo a través de la televisión estatal. Pósters con la cara del papa fueron desplegados en todo el país. En el discurso de recepción en el aeropuerto de La Habana, Raúl Castro elogió a Francisco por jugar un papel clave en las negociaciones que restauraron las relaciones diplomáticas entre EE.UU. y Cuba; le regaló, además, un enorme crucifijo. Durante una visita previa al Vaticano, el dirigente del PCC incluso declaró en conferencia de prensa: “Si el papa continúa así, voy a regresar a rezar y a la iglesia, y no es una broma” (Washington Post, 10 de mayo de 2015).
La bienvenida de los dirigentes cubanos al papa Francisco —que se suma a la que dieron a sus predecesores Juan Pablo II y Benedicto XVI cuando visitaron la isla— es criminal y representa un peligro mortal. La Iglesia Católica es, y ha sido siempre, un bastión mundial de la reacción política y social, especialmente en la propia América Latina. El Vaticano utilizará toda autoridad que adquiera entre la población cubana para promover la contrarrevolución utilizando el velo de la “democracia”. El regreso a la explotación capitalista en Cuba significaría la destrucción de las conquistas revolucionarias del país y daría paso a una renovada dominación neocolonial por parte de EE.UU.
El estado obrero deformado cubano en peligro
Cuba es el único estado obrero en América. La destrucción del dominio capitalista y la socialización de la economía hace más de 50 años dio paso a extraordinarios avances para el pueblo cubano. Los servicios médicos y la educación de calidad se volvieron accesibles para todos. Las mujeres fueron integradas completamente a la fuerza de trabajo y, hoy día, ocupan más de la mitad de las plazas en las facultades universitarias. Los doctores cubanos son enviados con frecuencia alrededor del mundo para prestar auxilio a las víctimas de desastres y epidemias. A pesar de la continua escasez material, Cuba tiene una de las tasas de alfabetización más altas del mundo y un índice de mortalidad infantil por debajo del de EE.UU. y la Unión Europea.
Los imperialistas estadounidenses han trabajado incansablemente para derrocar la Revolución Cubana. Sus crímenes han abarcado desde la invasión de Playa Girón (Bahía de Cochinos) en 1961 hasta numerosos intentos de asesinato contra Fidel Castro, desde la promoción de las contrarrevolucionarias bandas terroristas de gusanos en Miami hasta la imposición de un embargo hambreador de décadas. Los obreros del mundo, en particular en Estados Unidos, deben estar por la defensa militar incondicional de Cuba contra el imperialismo y la contrarrevolución capitalista.
Sin embargo, el estado obrero, desde sus inicios, ha estado deformado por el dominio de una burocracia nacionalista hostil a la perspectiva de la revolución socialista internacional. Siguiendo los pasos de la burocracia estalinista en la antigua Unión Soviética, la burocracia castrista, levantando el dogma nacionalista del “socialismo en un solo país”, ha perseguido el sueño de opio de la “coexistencia pacífica” con los imperialistas. Para tratar de lograrla, ha socavado repetidas veces oportunidades revolucionarias en otros lugares de América Latina.
Por ejemplo, en la década de 1980 los burócratas del PCC aconsejaron a los sandinistas nicaragüenses, nacionalistas de izquierda, de no seguir “la vía cubana” de expropiar a la clase capitalista. Una y otra vez han promovido regímenes nacionalistas burgueses, desde la dictadura de Velasco en Perú a fines de los 60 y principios de los 70 hasta los gobiernos capitalistas de Brasil, Venezuela y otros países hoy en día. La grotesca acomodación de los estalinistas cubanos al Vaticano es parte de este marco. La defensa de la Revolución Cubana está directamente ligada a la lucha por una revolución política proletaria para derrocar a la burocracia y establecer un régimen basado en el internacionalismo revolucionario y la democracia obrera. Para esto se requiere forjar un partido de vanguardia leninista-trotskista para movilizar a los trabajadores en lucha.
El socialismo implica una sociedad de abundancia material basada en un nivel de productividad económica más alto del que es posible bajo el capitalismo. Una sociedad así, que requeriría la tecnología más moderna y una división internacional del trabajo, no puede ser construida en un solo país, particularmente en una pequeña isla con escasos recursos naturales. En contraste, su construcción requerirá de una serie de revoluciones socialistas al nivel internacional, notablemente en los países capitalistas avanzados. La supervivencia del estado obrero deformado cubano depende en última instancia de la extensión de la revolución, especialmente a la bestia imperialista estadounidense.
Cuando las fuerzas guerrilleras pequeñoburguesas de Castro marcharon en La Habana en enero de 1959, el ejército y el resto del aparato estatal capitalista que había sostenido a la corrupta dictadura de Fulgencio Batista, respaldada por EE.UU., colapsaron. Inicialmente, el nuevo régimen no tenía intención alguna de expropiar a la clase capitalista local o las vastas propiedades de los imperialistas estadounidenses. Pero, frente al saqueo económico por parte de los partidarios de Batista y la hostilidad implacable de los gobernantes en Washington, el gobierno cubano se vio obligado a efectuar nacionalizaciones a gran escala de las plantaciones de azúcar, los bancos y otras compañías de propiedad estadounidense durante el verano y el otoño de 1960, así consolidando un estado obrero deformado.
En sus primeros años, el régimen fue hostil a la jerarquía católica, con razón. Fidel Castro denunció a los dirigentes de la iglesia en Cuba como “peones de la embajada estadounidense” y “fascistas de Franco”. Su furia fue provocada por una carta pastoral emitida por la jerarquía católica cubana condenando “el avance creciente del comunismo en nuestro país” (Time, 22 de agosto de 1960). Las propiedades de la iglesia fueron expropiadas, incluyendo más de 300 escuelas previamente reservadas a la élite que fueron transformadas en escuelas públicas bajo control estatal. Algunas estatuas religiosas fueron simbólicamente decapitadas.
La creación de un estado obrero y los avances económicos y sociales que se dieron como consecuencia fueron posibles únicamente gracias a la existencia de la Unión Soviética y su alianza con Cuba. Los soviéticos proporcionaron protección militar esencial contra el imperialismo estadounidense y subsidiaron a Cuba hasta con 5 mil millones de dólares de ayuda al año. La URSS proporcionaba alrededor del 60 por ciento de los alimentos de Cuba y casi todo su petróleo a cambio de azúcar. Estos subsidios fueron reducidos severamente con la descomposición del dominio estalinista en la URSS a finales de la década de 1980, y la destrucción contrarrevolucionaria en 1989-1992 de los estados obreros deformados en Europa Oriental y de la Unión Soviética los detuvo por completo. Cuba sufrió una profunda crisis económica conocida como el “Periodo Especial”. A partir de 1993, el régimen castrista implementó una serie de medidas orientadas al mercado que, a pesar de producir algo de recuperación económica, finalmente condujeron a un incremento significativo en la desigualdad.
Ese mismo periodo vio una creciente reconciliación del régimen con la jerarquía de la iglesia. La constitución fue enmendada a principios de los 90 para describir a Cuba como un estado “secular” (en vez de “ateo”), y los dirigentes del partido declararon que el ateísmo ya no era un requisito para militar en el partido. La Navidad y, más recientemente, el Viernes Santo han sido declarados días de asueto nacional. Sin embargo, la práctica de la religión en la isla sigue siendo limitada. Aunque alrededor del 40 por ciento de los cubanos han sido bautizados, muy pocos van a misa los domingos; los que lo hacen son en su mayoría adultos mayores. Entre los cubanos negros, los rituales y las creencias místicas de la santería, derivados de las tradiciones de los esclavos africanos llevados a Cuba por los colonizadores españoles, son significativamente más comunes.
A pesar de ello, el papel social de la Iglesia Católica ha crecido dramáticamente, con la aprobación tácita del gobierno. Las organizaciones de beneficencia y los centros culturales financiados por la iglesia han adquirido prominencia. En el marco del limitado acceso a las necesidades básicas, organizaciones como Cáritas y el Centro Loyola de los jesuitas actúan como centros de distribución de alimentos, pañales y otros productos sanitarios, además de ofrecer ayuda a los adultos mayores y proporcionar cuidado infantil, acceso a computadoras, etc. Estas organizaciones de beneficencia son financiadas por exiliados cubanos de derecha, de igual modo que varias escuelas de negocios que colaboran con la Universidad Católica en España para entrenar a los llamados emprendedores y organizar discusiones sobre el futuro económico de Cuba.
En 2010 empezó a operar un nuevo seminario en las afueras de La Habana. A principios de este año, los representantes de la Iglesia Católica dijeron que sus solicitudes para construir nuevas iglesias, que habían esperado largamente para ser aprobadas por el gobierno, empezaron a recibir luz verde. El alcance creciente de la Iglesia Católica ha sido aumentado por los cambios a las regulaciones del Departamento del Tesoro de EE.UU. que permiten a los estadounidenses viajar a Cuba para realizar actividades religiosas. Con un incremento en su financiamiento, la iglesia ha logrado construir redes de apoyo que podrían desempeñar un papel en la organización de futuras actividades contrarrevolucionarias.
Apóstoles de la reacción clerical
El papel del Vaticano en fomentar la contrarrevolución puede verse claramente en el caso de Juan Pablo II, el primer papa invitado a Cuba por el régimen de [Fidel] Castro en 1998. Ese papa, nacido con el nombre de Karol Wojtyla, jugó un papel ideológico fundamental en la creación del “sindicato” procapitalista Solidarność en su nativa Polonia en 1980.
Las décadas de mala administración económica, nacionalismo y capitulación a la Iglesia Católica por parte de la burocracia estalinista en el poder habían empujado a gran parte de la históricamente socialista clase obrera polaca a los brazos de la reacción clerical. La iglesia era en los hechos la única oposición legal a la burocracia. Después de consolidarse en torno a un programa contrarrevolucionario que incluía las demandas por “elecciones libres” y “sindicatos libres” —las consignas estándar durante la Guerra Fría de la CIA y sus secuaces anticomunistas en la AFL-CIO—, Solidarność intentó llegar al poder en otoño de 1981. Cuando los estalinistas se dieron a la tarea de suprimir a Solidarność en diciembre de 1981, apoyamos la supresión de los contrarrevolucionarios. Al mismo tiempo, enfatizamos que el crecimiento de la reacción católica era consecuencia directa de la bancarrota política de la casta burocrática en el poder.
Menos de una década más tarde, los estalinistas polacos abdicaron y Solidarność llegó al poder, marcando la destrucción del estado obrero deformado polaco. Estos eventos sirvieron para pavimentar el camino a acontecimientos similares en el resto de Europa Oriental y a la destrucción de la Unión Soviética en 1991-1992 —una derrota devastadora para la clase obrera internacional, incluyendo la cubana—.
El actual papa, el primero proveniente de América Latina, ha tratado de construirse una imagen de progresista por medio de sus homilías a favor de los pobres y los oprimidos. Pero, a pesar de las halagadoras declaraciones de los burócratas del PCC, la cara detrás de la máscara de Francisco es profundamente reaccionaria. En su juventud, Jorge Bergoglio fue miembro de la Guardia de Hierro, una organización derechista y clerical en Argentina. En la década de 1970 y principios de la de 1980 fue parte de la jerarquía católica en ese país, cuando la iglesia respaldaba la junta militar del general Jorge Videla. El sangriento régimen del general, que fue apoyado de principio a fin por el imperialismo estadounidense, asesinó o “desapareció”, al menos, a 30 mil obreros e izquierdistas. Un obispo o un cardenal estaba presente en todos y cada uno de los eventos públicos y los días nacionales para bendecir a los dictadores.
Parte del contexto en el que se da el creciente acercamiento entre los burócratas cubanos y el Vaticano son los esfuerzos diplomáticos de este último para dar fin al embargo económico de 55 años impuesto por Washington. Siempre nos hemos opuesto al embargo, cuyo propósito es estrangular a la economía cubana. Al mismo tiempo, advertimos que la campaña de cada vez más sectores de la clase capitalista estadounidense (y ahora del gobierno de Obama) para dar fin, o al menos relajar, estas medidas hambreadoras, presenta otro tipo de peligro para la Revolución Cubana.
En contraste con el embargo, los capitalistas en Europa (particularmente en España) y en Canadá han mantenido durante mucho tiempo intercambios comerciales con Cuba, con la convicción de que las políticas beligerantes de Washington han demostrado ser ineficaces para socavar al estado obrero. Los oponentes imperialistas del embargo buscan minar la economía socializada de Cuba y fomentar la contrarrevolución por otros medios, por ejemplo, inundando el país con artículos baratos de importación. Cuba, desde luego, debería tener el derecho a realizar intercambios comerciales y mantener relaciones diplomáticas con todos los países, incluyendo Estados Unidos. Sin embargo, es vital mantener el monopolio estatal del comercio exterior, es decir, un estricto control por parte del gobierno sobre las importaciones y las exportaciones.
Las ideas religiosas florecen particularmente en el terreno fértil de la escasez material, ofreciendo consuelo, glorificando el sacrificio y prometiendo recompensas después de la muerte. La Iglesia Católica, otrora bastión de la reacción feudal, promueve ahora la obediencia al orden de explotación capitalista (“Benditos sean ustedes los pobres”) y fomenta el fanatismo contra las mujeres y los homosexuales. El derecho al aborto es un buen ejemplo. Cuba es el único país en América en donde el aborto ha sido legal y gratuito desde finales de la década de 1960, un claro ejemplo de las conquistas que son posibles una vez que las cadenas del capitalismo han sido rotas. El papa Francisco y el resto de la jerarquía católica quieren no sólo prohibir el aborto, sino todas las formas de contracepción. El acceso sin restricciones a esos servicios es esencial para que las mujeres puedan tener control sobre si tener hijos y cuándo; sin tales servicios, serán empujadas fuera de los lugares de trabajo y relegadas una vez más a los confines reaccionarios de la familia.
Hoy en día, la Revolución Cubana se encuentra en una encrucijada. Los obreros en EE.UU. tienen el deber especial de defender a Cuba de la restauración capitalista y el rapaz imperialismo estadounidense. Esta tarea está intrínsecamente ligada a la lucha por la revolución socialista para barrer con los gobernantes capitalistas estadounidenses. La Spartacist League, sección estadounidense de la Liga Comunista Internacional (Cuartainternacionalista) está dedicada a construir el partido leninista de vanguardia necesario para llevar esa lucha a la victoria.
http://www.icl-fi.org/espanol/eo/46/cubana.html
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2016.07.18 15:48 anticasta La guerra civil está llegando a Francia

"Estamos al borde de una guerra civil". Esa cita no vino de un fanático o un loco. No, vino del jefe de la Seguridad Nacional de Francia, la DGSI (Dirección General de la Seguridad interior), Patrick Calvar. De hecho, él ha hablado muchas veces del riesgo de una guerra civil. El 12 de julio, advirtió a una comisión parlamentaria, encargada de una introspección de los ataques terroristas del año 2015, y en torno a los mismos.
En mayo de 2016, ofreció casi el mismo mensaje a otra comisión de parlamentarios, esta vez a cargo de la Defensa Nacional. "Europa", dijo, "está en peligro. El extremismo está en aumento en todas partes, y ahora estamos volviendo nuestra atención a algunos movimientos de extrema derecha que se están preparando para una confrontación".
¿Qué tipo de confrontación? "Enfrentamientos intercomunitarios", dijo, educadamente, para "una guerra contra los musulmanes". "Uno o dos más ataques terroristas", añadió, "y podríamos tal vez ser testigos de una guerra civil".
En febrero de 2016, frente a una comisión del Senado a cargo de la Información de Inteligencia, dijo otra vez: "Estamos ahora mirando a la extrema derecha que está a la espera de más ataques terroristas para entablar una confrontación violenta".
No se sabe si el terrorista al volante del camión, que arremetió contra la multitud el Día de la Bastilla, el 14 julio en Niza y asesinó a más de 80 personas, será el detonante de una guerra civil francesa, pero podría ayudar a ver qué es lo que crea el riesgo en una Francia y otros países, como Alemania o Suecia.
La razón principal es el fracaso del Estado.
  1. Francia está en guerra, pero al enemigo nunca se lo nombra
Francia es el principal objetivo de repetidos ataques islamistas; las carnicerías terroristas islámicas más importantes tuvieron lugar en la revista Charlie Hebdo y el supermercado Hypercacher de Vincennes (2015); el Teatro Bataclan, sus restaurantes cercanos y el estadio Stade de France, (2015); el fallido atentado en el tren Thalys; la decapitación de Hervé Cornara (2015); el asesinato de dos policías en Magnanville en junio (2016), y ahora el atropellamiento con el camión en Niza, en el día de conmemoración de la Revolución Francesa de 1789.
La mayor parte de esos ataques fueron cometidos por musulmanes franceses: ciudadanos que regresaron de Siria (los hermanos Kouachi en Charlie Hebdo), o islamistas franceses (Larossi Abballa que mataron a una familia de la policía en Magnanville, en junio de 2016), que más tarde afirmaron su lealtad a Estado Islámico (ISIS). El asesino del camión en Niza era un tunecino, pero estaba casado con una francesa, con la que tuvo tres hijos, y vivía tranquilamente en esa ciudad hasta que decidió asesinar a más de 80 personas y herir a varias docenas más.
Después de cada uno de estos trágicos episodios, el presidente François Hollande se ha negado a nombrar al enemigo, se negó a nombrar al islamismo -y especialmente se negó a nombrar a los islamistas franceses- como el enemigo de los ciudadanos franceses.
Para Hollande, el enemigo es una abstracción: "terrorismo" o "fanáticos". Incluso cuando el presidente se atreve a nombrar al "islamismo" como el enemigo, se niega a decir que va a cerrar todas las mezquitas salafistas, prohibir las organizaciones de la Hermandad Musulmana y salafistas en Francia, o prohibir velos para las mujeres en la calle y en la universidad. No, en cambio, el presidente francés reafirma su determinación por las acciones militares en el extranjero: "Vamos a reforzar nuestras acciones en Siria e Irak", dijo el presidente después del ataque en Niza.
Para el presidente de Francia, el despliegue de soldados en su patria es solamente para acciones defensivas: una política de disuasión, no un rearme ofensivo de la República en contra de un enemigo interno.
Así, frente a este fracaso de nuestra elite -que fue elegida para guiar al país a través de los peligros nacionales e internacionales-¿cuán asombroso es si los grupos paramilitares se están organizando para tomar represalias?
Como Mathieu Bock-Côté, sociólogo en Francia y Canadá, dice en Le Figaro:
"Las élites occidentales, con una obstinación suicida, se resisten a nombrar al enemigo. Frente a los ataques en Bruselas o París, prefieren imaginar una lucha filosófica entre la democracia y el terrorismo, entre la sociedad abierta y el fanatismo, entre la civilización y la barbarie".
  1. La guerra civil ya ha comenzado y nadie quiere llamarla por su nombre
La guerra civil comenzó hace dieciséis años, con la Segunda Intifada. Cuando los palestinos ejecutaron ataques suicidas en Tel Aviv y Jerusalén; los musulmanes franceses comenzaron a aterrorizar a los judíos que viven en paz en Francia. Durante dieciséis años, los judíos - en Francia - fueron asesinados, atacados, torturados y apuñalados por ciudadanos musulmanes franceses, supuestamente para vengar a la población palestina en Cisjordania. Cuando un grupo de ciudadanos franceses que son musulmanes declara la guerra a otro grupo de ciudadanos franceses que son judíos, ¿cómo lo llama a eso? Para el establishment francés, no es una guerra civil, sólo un lamentable malentendido entre dos comunidades "étnicas".
Hasta ahora, nadie quería establecer una conexión entre estos ataques y el ataque asesino en Niza contra personas que no eran necesariamente judías - y llámela por su nombre: una guerra civil.
Para el muy políticamente correcto establishment francés, el peligro de una guerra civil comenzará solamente si alguien toma represalias contra los musulmanes franceses; si todo el mundo solamente se somete a sus demandas, todo está bien. Hasta ahora, nadie pensaba que los ataques terroristas contra los judíos por parte de los musulmanes franceses; contra los periodistas de Charlie Hebdo por los musulmanes franceses; contra un empresario que fue decapitado hace un año por un musulmán francés; contra el joven Ilan Halimi por parte de un grupo de musulmanes; contra los niños escolares de Toulouse por un musulmán francés; contra de los pasajeros del tren Thalys por un musulmán francés, contra las personas inocentes en Niza por un musulmán casi francés eran los síntomas de una guerra civil. Estas matanzas siguen siendo vistas, hasta hoy en día, como algo parecido a un trágico malentendido.
  1. El establishment francés cree que el enemigo son los pobres, los viejos y los decepcionados
En Francia, ¿quiénes son los que más se quejan de la inmigración musulmana? ¿Los que más sufren del islamismo local? ¿Quiénes más le gusta beber una copa de vino o comer un sándwich de jamón y mantequilla? Los pobres y los viejos que viven cerca de las comunidades musulmanas, porque no tienen dinero para mudarse a otro lugar.
Hoy en día, como resultado, millones de pobres y ancianos en Francia están dispuestos a elegir a Marine Le Pen, presidente del derechista Frente Nacional, como próximo presidente de la República; por la sencilla razón de que el único partido que quiere luchar contra la inmigración ilegal es el Frente Nacional.
Sin embargo, debido a que estos ancianos y pobres franceses quieren votar por el Frente Nacional, se han convertido en el enemigo del establishment francés, de derecha e izquierda. ¿Qué les está diciendo el Frente Nacional a estas personas? "Vamos a restaurar a Francia como nación de los franceses". Y los pobres y los viejos le creen, porque no tienen otra opción.
Del mismo modo, los pobres y los ancianos en Gran Bretaña no tuvieron más remedio que votar por el Brexit. Tomaron la primera herramienta que les dieron para expresar su decepción por vivir en una sociedad que ya no les gusta. No votaron para decir, "maten a estos musulmanes que están transformando mi país, robando mi trabajo y chupando mis impuestos". Ellos sólo están protestando contra una sociedad a la que una élite globalizada había comenzado a transformar sin su consentimiento.
En Francia, las elites globalizadas hicieron una elección. Decidieron que los "malos" votantes en Francia son gente poco racional, demasiado tonta, demasiado racista para ver la belleza de una sociedad abierta a las personas que a menudo no se quieren asimilar, que quieren que usted se asimile a ellos, y que amenazan con matarle si no lo hacen.
Las elites globalizadas hicieron otra elección: tomaron partido en contra de sus propios ancianos y pobres porque esa gente ya no los quieren votar. Las elites globalizadas también optaron por no luchar contra el islamismo, porque los musulmanes votan a nivel mundial a favor de la élite globalizada. Los musulmanes en Europa también ofrecen un gran "zanahoria" para la elite globalizada: votan colectivamente.
En Francia, el 93% de los musulmanes votaron por el actual presidente, François Hollande, en 2012. En Suecia, los socialdemócratas informaron que el 75% de los musulmanes suecos votaron por ellos en las elecciones generales de 2006; y los estudios muestran que el bloque "rojo-verde" consigue un 80-90% de los votos musulmanes.
  1. ¿Es inevitable la guerra civil? ¡Sí!
Si el establishment no quieren ver que la guerra civil ya ha sido declarado primero por los extremistas musulmanes -si ellos no quieren ver que el enemigo no es el Frente Nacional en Francia, la AfD en Alemania, o los Demócratas de Suecia- sino el islamismo en Francia, en Bélgica, en Gran Bretaña, en Suecia; entonces una guerra civil sobrevendrá.
Francia, al igual que Alemania y Suecia, tienen un ejército y una policía lo suficientemente fuertes como para luchar contra un enemigo islamista interno. Pero en primer lugar, tienen que llamarlo por su nombre y tomar medidas en su contra. Si no lo hacen, si dejan a sus ciudadanos nativos en la desesperación, sin otros medios que no sean armarse y tomar represalias. Sí, la guerra civil es inevitable.
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2016.06.04 13:59 ShaunaDorothy Sobre la política trotskista en la Segunda Guerra Mundial - Neomorenistas del PTS reviven la “Política Militar Proletaria” (Junio de 2012)

https://archive.is/cG8u0
Espartaco No. 35 Junio de 2012
La “Política Militar Proletaria” (PMP), propuesta originalmente por Trotsky en los últimos meses de su vida, era una serie de demandas centradas en la consigna por el “control sindical del entrenamiento militar”. Esta política, que despertó en aquel entonces controversia significativa entre quienes se reclamaban trotskistas, desempeñó un papel importante en desorientar a las pequeñas y a menudo aisladas secciones de la IV Internacional en los primeros años de la Segunda Guerra Mundial. La PMP no ha sido operativa desde alrededor de 1943, cuando quedó claro que los imperialistas aliados ganarían la guerra contra las potencias del Eje. Sin embargo, los neomorenistas del Partido de los Trabajadores Socialistas (PTS) argentino la revivieron con la publicación de la antología Guerra y revolución: Una interpretación alternativa de la Segunda Guerra Mundial (Buenos Aires: Ediciones CEIP “León Trotsky”, 2004), en cuya introducción presentan su propia defensa de la PMP. Nuestros lectores podrán encontrar un análisis altamente crítico de la PMP y considerablemente más extenso que el presente artículo en Prometheus Research Series No. 2, “Documents on the ‘Proletarian Military Policy’” (Documentos sobre la “Política Militar Proletaria”, 1989), que incluye una introducción elaborada por el Comité Ejecutivo Internacional de la LCI (entonces tendencia espartaquista internacional), así como documentos contemporáneos[1] y otros análisis críticos retrospectivos espartaquistas.
Debe ser algo distinto al profundo respeto por los anales del marxismo revolucionario lo que impulsa a los empedernidos oportunistas del PTS a revivir la PMP, una política que representó conciliación a la propaganda bélica de los imperialistas aliados y que se apartó del entendimiento leninista elemental del estado burgués como un aparato para la represión sistemática contra los obreros y oprimidos que no puede ser reformado, sino que debe ser destruido mediante la revolución proletaria y remplazado por un estado obrero.
Las implicaciones reformistas y socialpatriotas de la PMP no son, por supuesto, un problema para el PTS y sus compinches internacionales (la Fracción Trotskista-Cuarta Internacional, cuya sección mexicana es la Liga de Trabajadores por el Socialismo, LTS), quienes exigen cotidianamente la “disolución de los cuerpos represivos” del estado, es decir, una petición al estado burgués a que se disuelva a sí mismo. De manera nada sorprendente, recientemente encontraron cauce para su adopción de la PMP en el contexto de la ola chovinista que azotó Argentina ante el XXX aniversario de la Guerra de las Malvinas/Falklands —una guerra reaccionaria por ambos bandos—, al exigir retrospectivamente que las organizaciones obreras impusieran la conscripción universal para ir a luchar, al mando del gorila Galtieri, por las escuálidas islas (ver artículo en p. 16). Precisamente por ser un vehículo que les permite dar rienda suelta a su acomodación a su “propia” burguesía, el PTS ve en la PMP “una teoría acabada de la revolución” cuya “perspectiva estratégica”, “programa” y “consignas” “eran mucho más maduras, e incluso superiores, a las de Lenin y los bolcheviques”.
“La guerra y la Cuarta Internacional”
En junio de 1934 Trotsky escribió “La guerra y la Cuarta Internacional”, un manifiesto sobre la inminente conflagración imperialista que desenmascaraba tajantemente las pretensiones “antifascistas” y “democráticas” de los imperialistas aliados con base en el derrotismo de Lenin. Salvo en lo referente a la defensa de la Unión Soviética, el proletariado no tenía interés en la guerra venidera, en la cual millones habrían de morir para que una u otra banda imperialista asegurara sus ganancias exorbitantes basadas en la explotación colonial. Extendiendo la política derrotista revolucionaria que guió a los bolcheviques durante la Primera Guerra Mundial y que empapa los documentos de los primeros cuatro congresos de la Internacional Comunista, Trotsky escribió:
“58. Cuando se trata de un conflicto entre países capitalistas, el proletariado de cualquiera de ellos se niega categóricamente a sacrificar sus intereses históricos, que en última instancia coinciden con los intereses de la nación y de la humanidad, en beneficio del triunfo militar de la burguesía. La fórmula de Lenin ‘La derrota es el mal menor’ no significa que lo sea la derrota del propio país respecto a la del país enemigo, sino que la derrota militar resultante del avance del movimiento revolucionario es infinitamente más beneficiosa para el proletariado y todo el pueblo que el triunfo militar garantizado por ‘la paz civil’. Karl Liebknecht planteó un lema hasta ahora no superado para la política proletaria en épocas de guerra: ‘El principal enemigo del pueblo está en su propio país’. La revolución proletaria triunfante superará los males provocados por la derrota y creará la garantía final contra futuras guerras y derrotas. Esta actitud dialéctica hacia la guerra constituye el elemento más importante de la educación revolucionaria y por lo tanto también de la lucha contra la guerra.
“59. La transformación de la guerra imperialista en guerra civil es el objetivo estratégico general al que se debe subordinar toda la política de un partido proletario”.
Ésta es la posición fundamental que los revolucionarios sostenemos en el caso de guerras reaccionarias.
Enfrentados en cuanto a la redivisión del mercado mundial, los imperialistas, tanto “democráticos” como fascistas, tenían, sin embargo, un objetivo clave en común: la destrucción de la URSS, el primer estado obrero del mundo, lo cual habría tenido consecuencias funestas para el proletariado mundial. En la víspera de la segunda guerra interimperialista, Trotsky temía que una catástrofe se aproximaba a la Unión Soviética, especialmente a la luz de los efectos desastrosos, evidentes en la secuela del pacto Hitler-Stalin, de la decapitación del Ejército Rojo perpetrada por Stalin en las purgas de los años 30. Correspondientemente, Trotsky añadió una sola cosa —ciertamente fundamental— al programa revolucionario elaborado durante la Primera Guerra Mundial: el deber del proletariado mundial de defender militarmente las conquistas de la Revolución de Octubre a pesar de la usurpación del poder político por parte de la casta burocrática encabezada por Stalin:
“8. ...Defender a la Unión Soviética de los ataques de los enemigos capitalistas, más allá de las circunstancias y causas inmediatas del conflicto, es obligación elemental de toda organización obrera honesta”.
El origen de la PMP
Sin embargo, en mayo de 1940, conforme los ejércitos de Hitler avanzaban por Bélgica y Holanda hacia París, Trotsky redactó un nuevo manifiesto sobre la guerra, el “Manifiesto de la Cuarta Internacional sobre la guerra imperialista y la revolución proletaria mundial”, que fue adoptado por una conferencia de emergencia de la IV Internacional en Nueva York. En un pasaje cerca del final del manifiesto aparece por primera vez un nuevo elemento en el programa de la IV Internacional sobre la guerra imperialista:
“La militarización de las masas se intensifica día a día. Rechazamos la grotesca pretensión de evitar esta militarización con huecas protestas pacifistas. En la próxima etapa todos los grandes problemas se decidirán con las armas en la mano. Los obreros no deben tener miedo de las armas; por el contrario, tienen que aprender a usarlas. Los revolucionarios no se alejan del pueblo ni en la guerra ni en la paz. Un bolchevique trata no sólo de convertirse en el mejor sindicalista sino también en el mejor soldado.
“No queremos permitirle a la burguesía que lleve a los soldados sin entrenamiento o semientrenados a morir en el campo de batalla. Exigimos que el estado ofrezca inmediatamente a los obreros y a los desocupados la posibilidad de aprender a manejar el rifle, la granada de mano, el fusil, el cañón, el aeroplano, el submarino y los demás instrumentos de guerra. Hacen falta escuelas militares especiales estrechamente relacionadas con los sindicatos para que los obreros puedan transformarse en especialistas calificados en el arte militar, capaces de ocupar puestos de comandante”.
Estas oraciones son la primera expresión de lo que pasaría a conocerse como la “Política Militar Proletaria”. En septiembre, un mes después del asesinato de Trotsky a manos de un esbirro estalinista, el Socialist Workers Party (SWP, Partido Obrero Socialista), sección estadounidense de la IV Internacional, adoptó formalmente una resolución sobre la nueva política militar en una conferencia en Chicago:
“Luchamos contra el envío de obreros-soldados a la batalla sin entrenamiento y equipo apropiados. Nos oponemos a la dirección militar de los obreros-soldados por parte de oficiales burgueses que no tienen consideración alguna por su trato, su protección y sus vidas. Exigimos fondos federales para el entrenamiento militar de obreros y obreros-oficiales bajo el control de los sindicatos. ¿Expropiaciones militares? Sí, ¡pero sólo para el establecimiento y equipamiento de campos de entrenamiento obreros! ¿Entrenamiento militar obligatorio de los obreros? Sí, ¡pero sólo bajo el control de los sindicatos!”
El llamado del SWP equivale a alguna forma de “control obrero” del ejército burgués, lo cual es descaradamente utópico: el estado burgués no va a ceder el control del entrenamiento militar, ni ningún aspecto del ejército burgués, mediante la legislación. Como señaló en 1941 un miembro de la IV Internacional en Europa (ver PRS No. 2), el “control sindical de la defensa nacional” bajo el régimen burgués sólo puede instituirse en un sentido fascista o corporativista; de hecho, es muy significativo que la única federación sindical que adoptó el programa de la PMP durante la guerra fue nada menos que la CTM mexicana.
Trotsky y el SWP se equivocaron al tratar de plantear un conjunto de demandas positivas para la segunda guerra imperialista mundial en la ausencia de una situación revolucionaria. Llamar por el poder estatal proletario en medio de una situación potencialmente revolucionaria para emprender la defensa contra Hitler no es lo mismo que llamar por el “control sindical del entrenamiento militar” cuando es el estado burgués el que le hace la guerra a Hitler. Como regla general, los revolucionarios preferimos emplear demandas negativas respecto al estado burgués, pues éstas son el vehículo más poderoso para movilizar a las masas contra la burguesía. Como muestra el ejemplo del PTS, las demandas positivas a las instituciones centrales del estado capitalista —el ejército, la policía y los tribunales— fácilmente pueden ser utilizadas en el sentido reformista de presentar al aparato estatal burgués como si fuera de alguna manera neutral respecto a las clases.
El propósito de ser “el mejor soldado” en un ejército burgués, la demanda por mejor entrenamiento y equipo, la absurda exigencia por el “control sindical del entrenamiento militar”, todo ello está contrapuesto al entendimiento de la Segunda Guerra Mundial como una guerra interimperialista reaccionaria en la cual el proletariado no tenía lado —excepto en defensa de la URSS—. No muy oculta en la PMP estaba la proposición de que el proletariado del mundo (fuera de Alemania) tenía un enemigo mayor que su propia burguesía, a saber, el fascismo alemán. De hecho, la nueva política militar sólo era aplicable en la Gran Bretaña, Estados Unidos y sus aliados subordinados (Australia, Canadá), por lo cual había una tendencia anglo-estadounidense tácita en la abstracción de “la burguesía” en las formulaciones de la PMP: el manifiesto de mayo de 1940 no estaba exigiendo precisamente que el estado dirigido por Hitler estableciera escuelas para el entrenamiento militar de los obreros bajo control sindical. El núcleo de la PMP era el apoyo a una guerra contra el fascismo sin dejar claro a qué clase social pertenecía el estado que libraba la guerra. Debido a la popularidad de una “guerra democrática contra el fascismo”, el efecto real de la PMP habría sido simplemente hacer más eficiente la guerra del estado burgués y democratizar su dirección.
En gran medida, la PMP se basó en una prognosis exagerada del grado al cual el proletariado lucharía contra la guerra al principio de ésta. Trotsky pensó que la necesidad bélica eliminaría rápidamente la máscara “antifascista” y “democrática” de los imperialistas anglo-estadounidenses. Esperaba que las burguesías de ambos países se verían forzadas a imponer alguna variante de dictadura bonapartista en respuesta al creciente descontento, lo cual conduciría a la lucha social y quizá a situaciones de poder dual. Además, Trotsky pensaba que, ante la lucha social interna, los imperialistas anglo-estadounidenses seguirían el ejemplo de sus aliados franceses y se volverían “derrotistas”, viendo en Hitler al mal menor. Con base en este pronóstico, Trotsky combinó incorrectamente la “lucha contra el fascismo” en la guerra con la tarea proletaria de la toma del poder.
El PTS sobre la SGM: ¿“Democracia contra fascismo” después de todo?
Aunque el PTS niega formalmente que la Segunda Guerra Mundial haya sido una genuina “guerra contra el fascismo”, todos sus argumentos en defensa de la PMP introducen, en el mejor de los casos, agnosticismo respecto al carácter reaccionario del conflicto. Así, para justificar la insuficiencia del derrotismo revolucionario de Lenin y la necesidad de una nueva política, el PTS argumenta que la Segunda Guerra Mundial representó un “salto” respecto a la primera que hacía imposible “repeticiones mecánicas de las viejas fórmulas de los revolucionarios durante la Primera Guerra”. El “salto”, por supuesto, era el fascismo, y el propósito de todo esto es justificar la noción de que se podía luchar contra él mediante el esfuerzo bélico aliado: “Que la guerra que se avecinaba era de carácter interimperialista no implicaba para los trotskistas subestimar al fascismo y la necesidad del movimiento obrero de entablar una lucha encarnizada contra él desde sus inicios, ya que sería el principal perjudicado”.
La lucha obrera contra el fascismo podía librarse solamente de manera independiente de las burguesías “democráticas”, una perspectiva por la que los trotskistas habían luchado, efectivamente, desde los inicios del fascismo. De hecho, el que la pasividad criminal del Partido Comunista Alemán ante el ascenso de los nazis de Hitler no causara ni la más mínima revuelta dentro de la III Internacional hizo que Trotsky declarara que la Comintern estaba muerta para la causa de la revolución proletaria y llamara a construir nuevos partidos comunistas que sostuvieran la bandera del leninismo. La IV Internacional, fundada en 1938 en la víspera de la guerra inminente, encarnó esta continuidad leninista.
Pero el objetivo de la PMP de actuar como “los mejores soldados” de los ejércitos aliados en la Segunda Guerra Mundial no tenía nada que ver con la lucha obrera contra el fascismo. Como Trotsky mismo había señalado en “La guerra y la Cuarta Internacional”:
“18. La impostura de la defensa nacional siempre trata de ocultarse tras la impostura de la defensa de la democracia. Si incluso ahora, en la época del imperialismo, los marxistas no identifican democracia con fascismo y están dispuestos en todo momento a rechazar los ataques del fascismo a la democracia, ¿no debería el proletariado, si se declara la guerra, apoyar a los gobiernos democráticos contra los fascistas?
“¡Flagrante sofisma! Defendemos a la democracia contra el fascismo por medio de las organizaciones y métodos del proletariado... Y si nos oponemos de manera irreconciliable a los gobiernos más ‘democráticos’ en épocas de paz, ¿cómo podemos asumir la más mínima responsabilidad por ellos durante la guerra, cuando todas las infamias y crímenes del capitalismo se llevan a cabo de la manera más brutal y sangrienta?
“19. Una guerra moderna entre las grandes potencias no será una lucha entre la democracia y el fascismo sino un conflicto entre dos sectores imperialistas por un nuevo reparto del mundo”.
El vínculo que la PMP hizo de la “defensa de la democracia” y el “antifascismo” con el esfuerzo bélico de los imperialistas anglo-estadounidenses representó una capitulación a la falsa conciencia y le cedió terreno a la propaganda bélica de los imperialistas aliados. El deber de los revolucionarios era el opuesto: exponer las pretensiones antifascistas de las clases gobernantes aliadas.
El proletariado tenía toda razón para temer y odiar la bota nazi. Pero habría sido mucho mejor que la lucha proletaria y los levantamientos coloniales paralizaran el esfuerzo bélico anglo-estadounidense, quizá conduciendo a victorias alemanas transitorias, ¡a que el proletariado apoyara implícitamente a los ejércitos aliados mediante la exigencia de soldados mejor entrenados y equipados!
Abjurando el derrotismo revolucionario
Reconociendo que el derrotismo revolucionario es un obstáculo a la adopción de la PMP —aunque sin decirlo jamás abiertamente—, el PTS centra una buena parte de sus argumentos en minimizar y oscurecer el significado de esta política leninista clave. Así, presenta el derrotismo como alguna oscura polémica interna que trataba simplemente de “reagrupar a la vanguardia y a los elementos más avanzados de la socialdemocracia, y no de formular una política activa hacia el movimiento obrero”. Hace suya la posición de un tal Jean-Paul Joubert, quien argumenta nada menos que “la fórmula” del derrotismo “no se encuentra...en el proyecto de resolución y de manifiesto de la ‘Izquierda de Zimmerwald’”, ni tampoco fue utilizada “durante los seis años siguientes a la revolución de octubre, en ningún texto importante de Lenin o de la Internacional Comunista”. “Por el contrario”, concluye Joubert, “Lenin martilla sin cesar en la ‘transformación de la guerra imperialista en guerra civil’”[2].
Todo esto va más allá del confusionismo. La lucha de Lenin por la III Internacional, incluyendo entre la izquierda de Zimmerwald, se libró sobre la base del derrotismo revolucionario y sobre el cadáver de la II Internacional socialpatriota; el derrotismo guió toda “política activa” de los bolcheviques tanto como el servilismo a los esfuerzos bélicos de sus respectivas burguesías guió la actividad de los socialpatriotas en la II Internacional. El derrotismo no es una mera consigna, sino una posición fundamental del marxismo revolucionario respecto a guerras reaccionarias. Como explicamos en PRS No. 2, el derrotismo representa precisamente el deseo, desde una perspectiva internacional estratégica, de transformar la guerra imperialista en guerra civil:
“El uso del término ‘derrotismo’ se basa en el reconocimiento de que: (1) una cadena de derrotas militares para un gobierno imperialista ayuda al surgimiento de lucha social interna, y (2) cualquier lucha social significativa en tiempo de guerra inevitablemente ‘ayuda’ a la potencia enemiga. El proletariado no restringirá la lucha de clases por temor a facilitar la victoria del ‘campo imperialista enemigo’”.
Hay varias consignas apropiadas para expresar el significado del derrotismo bajo distintas circunstancias, prominentemente la consigna de Liebknecht de “el principal enemigo está en casa” o, por ejemplo en el caso de la India colonial, simplemente “¡Abajo el imperialismo! ¡Abajo la guerra imperialista!”, consignas levantadas por el Bolshevik-Leninist Party of India durante la Segunda Guerra Mundial.
En su esfuerzo por deshacerse del derrotismo y mantener alguna semblanza “izquierdista”, el PTS crea un Trotsky a su imagen y semejanza:
“Muchos sectarios de entonces habían adoptado una posición que en apariencia seguía a Lenin a pie juntillas: ésta es una guerra imperialista, por lo tanto se impone una actitud de derrotismo revolucionario. Pero Trotsky rechazaba esto como un silogismo reñido con la lógica viva y contradictoria de la guerra y su eterna antagonista: la revolución”.
¡Pero Trotsky insistió en la aplicación del derrotismo revolucionario hasta el final de sus días! La PMP fue una política equivocada basada en un pronóstico exagerado de la inminencia de revoluciones proletarias, y Trotsky no vio que estaba, a fin de cuentas, en contradicción con el derrotismo revolucionario; Trotsky no vivió para ver cómo se desarrollaba la PMP en la realidad, habiendo propuesto esta política apenas tres meses antes de su muerte. En cualquier caso, difícilmente se podría argumentar que es la confusión teórica lo que conduce a los peronistas de extrema izquierda del PTS a despotricar contra el derrotismo “sectario” y defender a la PMP 70 años después.
PMP vs. defensa de la URSS: La desvergüenza retrospectiva del PTS
Tras citar un pasaje de la resolución del SWP de 1940 que codificó la PMP, el PTS comenta ridículamente que “en consecuencia con esta política”, el SWP “destinó un destacamento de militantes a la flota mercante de Estados Unidos”. No debería hacer falta un extenso análisis para darse cuenta de que el trabajo del SWP en la marina mercante no tenía nada que ver con la “política militar proletaria”. El SWP perdió al menos a siete de sus militantes en la marina mercante, algunos de los cuales trabajaban en la peligrosa ruta de Múrmansk en la que convoyes aliados llevaban abastecimientos a la Unión Soviética. Este trabajo genuinamente excepcional fue una expresión no de la PMP, sino del defensismo soviético del SWP, algo que al PTS le conviene no reconocer.
De hecho, una de las principales preocupaciones de Trotsky, que debe de haber desempeñado un papel en la elaboración de la PMP, era el grave peligro que la guerra planteaba a la tierra de la Revolución de Octubre. Pero el PTS desaparece este aspecto del problema, por una buena razón: es una organización que nació a la vida política “independiente” a finales de los años 80 apoyando la contrarrevolución capitalista en la RDA, la URSS y toda Europa Oriental, así como hoy reniega de la defensa militar incondicional de los estados obreros deformados que aún quedan contra el imperialismo y la contrarrevolución interna: formalmente en el caso de China y Vietnam, en tanto que a duras penas balbucea una palabra sobre Corea del Norte, prefiere ignorar la existencia del estado obrero en Laos y en los hechos abandona el defensismo respecto al estado obrero cubano (ver “Cuba: Crisis económica y ‘reformas de mercado’”, Espartaco No. 34, otoño de 2011).
El que el PTS adopte retrospectivamente la PMP, así como su apoyo al absurdo intento de Joubert de reducir el defensismo revolucionario a una efímera exageración polémica de Lenin, está en concordancia con su apoyo a la contrarrevolución “democrática” en los estados obreros degenerado y deformados. Y aún así, el PTS tiene la desvergüenza de publicar, en su introducción a Guerra y revolución, una sección entera dedicada a “La defensa de la URSS” con luengas citas de Trotsky, cuyo contenido entero ha pisoteado en cada coyuntura histórica fundamental en continuidad antirrevolucionaria con sus predecesores morenistas de la Liga Internacional de Trabajadores (LIT) (ver, entre otros, folleto del GEM y la Fracción Trotskista del entonces POS, hoy LTS, “Del morenismo al trotskismo: La cuestión rusa a quemarropa”, 1991).
Por otro lado, debe señalarse que todo el trabajo heroico de los trotskistas durante la Segunda Guerra Mundial —incluyendo, entre otros, el trabajo marítimo del SWP y prominentemente el de la célula de los trotskistas de Brest que publicaba Arbeiter und Soldat (Obrero y Soldado) para distribuir al personal naval alemán— está en contradicción directa con la PMP. Aun así, el PTS tiene el descaro adicional de atacar al SWP por imprimir “a la propaganda sobre la PMP un sesgo un tanto ‘defensista’, aproximándose a una posición que postulaba la ‘necesidad de librar la guerra contra el fascismo hasta el final’”. Pero el SWP de Cannon sí se opuso a la Segunda Guerra Mundial. Debido a que el SWP en aquellos años era un partido genuinamente revolucionario proletario —a diferencia de los impostores seudotrotskistas del PTS—, la PMP nunca cobró vida como una demanda programática y pronto fue archivada en algún cajón, y sus implicaciones socialpatriotas nunca echaron raíz. En cambio, es el PTS quien defiende hoy la proposición de ser “el mejor soldado” en los ejércitos aliados y exige retrospectivamente la conscripción universal para ir a matar británicos en las Malvinas/Falklands.
Contorsiones circenses
El PTS se ve obligado a realizar contorsiones verdaderamente sorprendentes para tratar de establecer “antecedentes” para la PMP en las políticas trotskistas durante la Guerra Civil Española, en el Programa de Transición y, más generalmente, en casi cada referencia que Trotsky haya hecho jamás a la lucha por escindir al ejército horizontalmente en tiempos de agitación revolucionaria para ganar a las tropas al lado del proletariado. Pero esto no era nada nuevo ni tiene nada que ver con la PMP; de hecho, Engels había señalado ya desde 1895 la necesidad de escindir al ejército (ver su introducción a Las luchas de clases en Francia de 1848 a 1850 de Marx), una política que fue, por supuesto, llevada a cabo con éxito en la Revolución Rusa de 1917. Como “La guerra y la Cuarta Internacional” explica, cuando un revolucionario se ve obligado a ir al ejército,
“sigue siendo un luchador, aprende a usar las armas, explica hasta en las trincheras el significado de clase de la guerra, nuclea a los disconformes, los organiza en células, transmite las ideas y consignas del partido, observa cuidadosamente los cambios en el estado de ánimo de las masas, el reflujo de la marea patriótica, el incremento de la indignación, y en el momento crítico llama a los soldados a colaborar con los obreros”.
¡No precisamente “el mejor soldado” en un ejército burgués!
Quizá el más deshonesto de sus intentos es el de establecer un antecedente de la PMP en Lenin. El PTS afirma que en “El programa militar de la revolución proletaria” (septiembre de 1916), “Lenin formula lo que podríamos llamar, sin temor a abusar de los términos, una ‘política militar del proletariado’”. Sería muy amable llamar a esto “abusivo”. Lenin escribió:
“En lo que se refiere a la milicia, deberíamos decir: no estamos por una milicia burguesa, estamos únicamente por una milicia proletaria. Por consiguiente, ‘ni un centavo, ni un hombre’, no sólo para el ejército regular, sino tampoco para la milicia burguesa, incluso en países como Estados Unidos, o Suiza, Noruega, etc... Podemos exigir la elección de los oficiales por el pueblo, la abolición de todos los tribunales militares, iguales derechos para los obreros extranjeros y los nacidos en el país... Además, podemos exigir, digamos, que cada cien habitantes de un país determinado tengan derecho a formar asociaciones de adiestramiento militar voluntario, con libre elección de instructores, pagados por el estado, etc. Sólo en tales condiciones podría adquirir el proletariado adiestramiento militar, para sí, y no para sus esclavizadores; y los intereses del proletariado exigen absolutamente ese adiestramiento” (énfasis en el original).
De manera totalmente explícita, Lenin no está argumentando por el entrenamiento y equipamiento de “obreros-soldados” para ir a luchar contra los alemanes en la Primera Guerra Mundial. Este artículo es una polémica contra la consigna reformista del “desarme”[3] en el cual, al tiempo que enfatiza que la Primera Guerra Mundial es totalmente reaccionaria, señala que no todas las guerras lo son, e insiste en que el proletariado necesita su propia milicia, independiente de la burguesía, para luchar por su propia dictadura y consolidarla. La siguiente oración en el artículo, que el PTS convenientemente omite, deja claro lo anterior:
“La Revolución Rusa [de 1905] demostró que todo éxito del movimiento revolucionario, incluso un éxito parcial, como la toma de una urbe, de una ciudad fabril, o el atraerse a una parte del ejército, obliga inevitablemente al proletariado vencedor a poner en práctica precisamente ese programa” (énfasis en el original).
Como escribimos en PRS No. 2:
“En el curso de la lucha que lleva al establecimiento de un estado proletario, el llamado por el establecimiento de organizaciones obreras de autodefensa es central en el programa revolucionario. Estas organizaciones representan la forma embrionaria del ejército del estado obrero, pero sólo si son completamente independientes del estado burgués. El Programa de Transición, adoptado en la conferencia de fundación de la IV Internacional en 1938, asocia el llamado por escuelas militares obreras y entrenamiento militar con la consigna de ‘completa independencia de las organizaciones obreras del control policiaco-militar’. Pero la PMP exigía que el estado burgués financiara las escuelas militares obreras, inclinándose hacia una posición reformista sobre el carácter del estado capitalista. El llamado ridículo del SWP por el ‘control sindical de la conscripción’ fue más lejos por ese camino”.
En suma, ninguna cantidad de sofistería será suficiente para esconder la verdad que yace en la afirmación que hicimos hace ya 40 años y que aplica de manera aún más apta al PTS hoy día: “Sólo socialchovinistas que apoyen los objetivos bélicos de ‘su’ gobierno pueden levantar razonablemente la PMP” (“Proletarian Military Policy” [Política Militar Proletaria], Revolutionary Communist Youth Newsletter No. 13, agosto-septiembre de 1972, reimpreso en PRS No. 2).
Notas
  1. Entre éstos, se incluyen polémicas correctas de Max Shachtman contra la PMP de finales de 1940 y principios de 1941. Menos de un año antes, sin embargo, Shachtman había roto de manera revisionista con el marxismo mediante la repudiación completa de su metodología filosófica, el materialismo dialéctico, y la traición concreta a la Unión Soviética (con base en su “teoría” del “colectivismo burocrático” según la cual la burocracia soviética no era tal, sino una “nueva clase”), primero en la guerra contra Finlandia en 1939 y luego en la invasión alemana de 1941 (ver “La bancarrota de las teorías sobre ‘una nueva clase’”, Spartacist (Edición en español) No. 30, mayo de 2000). La desviación del SWP respecto del contenido principista del leninismo mediante la PMP fue un regalo para Shachtman —entonces aún en sus inicios como revisionista—, el cual pudo explotar porque no se centraba en sus propias áreas de abandono del marxismo. Sin embargo, diez años después, bajo la presión de la Guerra de Corea, su revisionismo se volvió completo y Shachtman impulsó su propia versión, grotescamente reaccionaria, de la PMP. Regresar
  2. Joubert parece retomar al shachtmanista Hal Draper, quien en 1953-54 publicó un largo, oscuro y confusionista opúsculo titulado “The Myth of Lenin’s ‘Revolutionary Defeatism’” (El mito del “derrotismo revolucionario” de Lenin), a inicios de la primera Guerra Fría antisoviética del imperialismo estadounidense, para justificar la línea tercercampista de que, en caso de una guerra entre EE.UU. y la URSS, ¡los “socialistas” estadounidenses no debían estar por la derrota de su “propia” burguesía! Regresar
  3. De hecho, una versión ligeramente distinta, preparada por Lenin, de este mismo artículo se publicó en diciembre de 1916 como “La consigna del ‘desarme’”. Regresar
http://www.icl-fi.org/espanol/eo/35/pmp.html
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2015.11.11 03:33 RaulMarti LA OEA CONTRA VENEZUELA SIEMPRE AL SERVICIO DEL IMPERIO.Su dirección:esquina de: 17th Street y Constitution Ave., N.W., Washington, D.C. 20006, USA,calle lateral de la Casa Blanca.

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El Secretario General de la OEA se ha permitido interferir en el proceso electoral venezolano reprochándole entre otras cosas la inhabilitación de varios políticos.-
Entre otros procesados por colaboración en los atentados promovidos y dirigidos hace dos años ,Manuel Rosales, Pablo Pérez, Daniel Ceballos, Enzo Scarano que esperan su juicio y sentencia, se encuentran nada menos que dos muy conocidos.
A ambos los cita Almagro (Secretario Gral. de la OEA) en bloque con los demás, como para que pasen desapercibidos.
Sin embargo uno tiene sentencia de 13 años de prisión. La otra, fue desposeída por traición de su cargo parlamentario.
El es Leopoldo López, promotor y dirigente de los desórdenes tendientes a sustituir al gobierno venezolano (intento de golpe de estado)cuyo presidente (Maduro) acababa de ser elegido derrotando a Henrique Capriles Radonski .
Este era el candidato de MUD, coalición que también integraba Leopoldo López.
Mientras que Capriles ,perdidas las elecciones se retiró para atender su alcaldía, López, impaciente, en lugar de esperar una nueva convocatoria comicial , no se pudo contener promoviendo y liderando el movimiento insurreccional(intento de golpe de estado) durante el cual fueron incendiados edificios públicos; se cortaron 8000 árboles para levantar barricadas en calles y carreteras; resultaron asesinados partidarios del gobierno; se tendieron de lado a lado de las carreteras cables con alambre de espino para degollar a los motoristas de la policía, etc.
Ella es María Corina Machado, nada menos que hija del propietario de la industria siderúrgica más importante de Venezuela con 27 plantas de procesamiento dentro del país, empresa intervenida por el gobierno. ¿Tendrá algo que ver su actitud opositora con la posible pérdida de la fortuna de "papaíto"….?
Impotente como parlamentaria de denunciar a su gobierno ante la OEA, adoptó la nacionalidad panameña (con la aquiescencia del gobierno de ese país)y efectuó la reclamación ante la organización internacional.
Fue declarada indigna por el parlamento de su país y despojada de su cargo.
Estos son dos de aquellos a quienes Almagro, Secretario General de la OEA cita como al pasar y como inocentes perseguidos por el gobierno de la República de Venezuela.
No es de extrañar la actitud de obsecuencia de la tal organización cuya sede central está en la esquina de: 17TH STREET Y CONSTITUTION AVE., N.W., WASHINGTON, D.C. 20006, USA,
CURIOSAMIENTE LA CALLE QUE BORDEA POR UN LADO EL AMPLIO PARQUE EN QUE SE LEVANTA LA CASA BLANCA, estando anexas en la misma calle y adyacentes, otras dependencias secundarias de la organización: edificios administrativos ,etc.
La OEA es llamada de siempre el MINISTERIO DE COLONIAS DE LOS EE.UU.
 EL NACIMIENTO ESPUREO DE LA OEA 
Corría el año 1948.Hacía tres que había terminado la II Guerra Mundial y desde su finalización había comenzado la Guerra Fría entre Rusia y Estados Unidos y sus aliados.
Bloqueado Berlín por los soviéticos, los norteamericanos habían establecido un puente aéreo con terminal en Templelhof aeropuerto de la capital alemana.
Queriendo cubrir su retaguardia latinoamericana y alinear a los países en su política de enfrentamiento con la URSS, el gobierno estaba ofreciendo a los gobernantes de los países latinoamericanos el TIAR(Tratado Interamericano de Asistencia Recíproca), según el cual, si Paraguay, El Salvador, la Nicaragua de Somoza o la Cuba de Batista-por ejemplo- eran atacadas por una potencia extracontinental (léase URSS),todos los demás países acudirían en su auxilio.
Del mismo modo que si los Estados Unidos(es un suponer….)fueran atacados por una potencia extracontinental, TODOS LOS PAISES LATINOAMERICANOS ACUDIRÍAN EN SU AYUDA (obviamente con todos sus recursos militares).
Como se ve,un trato equitativo (“barganha leal”,dirían los militares brasileños)
Queriendo apretar más, en forma estable y ahora jurídicamente, el dogal a las repúblicas del Sur del Río Bravo, fue convocada en Bogotá una conferencia para dar forma orgánica a la asociación entre “el tiburón y las sardinas”, según feliz expresión del ex presidente guatemalteco progresista Juan José Arévalo con el cual comenzó en su país una profunda transformación que terminó ahogada durante la presidencia de su sucesor el Cnel. Jacobo Arbenz.
Y ello por cometer el delito de querer hacer una reforma agraria con las tierras de la UNITED FRUIT (“Mamita Yunai” según los indígenas),cuyo principal propietario era Allen Dulles, nada menos que ¡hermano del Secretario de Estado de los EEUU,(Presidencia Eisenhower) John Foster Dulles !
Colombia, país de celebración del evento constitutivo de la OEA, estaba gobernada por un representante del Partido Conservador (el nombre lo dice todo)representante político de la oligarquía terrateniente y latifundista.
El Partido Liberal era el opositor, y entre uno y otro la diferencia era de equipos dirigentes opuestos y ambos interesados sólo en el poder.
Pero poco antes de realizarse la conferencia, había surgido de filas del P. Liberal, un líder de amplísima aceptación por las clases humildes del país y cuya postulación a la presidencia colombiana amenazaba los privilegios de la oligarquía en su conjunto, no importa si liberal o conservadora.
En momentos en que iba a inaugurarse la conferencia, “curiosamiente” Gaitán fue asesinado, e indignado el pueblo bogotano se echó a la calle siendo violentamente reprimido por el gobierno de Ospina Pérez, en lo que se llamó “el bogotazo”
La represión duró muchos años: fue muy sangrienta y ejecutada sobre todo por Laureano Gómez, apodado “El carnicero”. La Organización de Estados Americanos nunca dijo nada.
Las delegaciones asistentes a los actos de inauguración y tareas de la naciente OEA, debieron refugiarse en el hotel más lujosos de Bogotá, y en el “Tamanaco” nació el engendro.
Jamás levantó un dedo ni contra la política del imperialismo norteamericano en América Latina, ni contra los gobernantes adictos que “democráticos” o dictadores sanguinarios, siempre han votado a favor de los intereses del “Gran Hermano”, así como jamás se oyó una voz de condena contra los infinitos atropellos a la democracia y a los más elementales derechos humanos .
En 1962,la OEA expulsó a Cuba (Gobierno Kenedy) por profesar –créase o no-ideología comunista, contraria a los principios de la organización según lo consigna el acta correspondiente.
En diciembre de 2011, a instancias de los gobiernos progresistas del continente se fundó la CELAC (Comunidad de estados latinoamericanos y caribeños)que abarca una superficie de 20 millones del Km2 y 590 millones de habitantes.
Está constituída por 33 países (23 la OEA)y excluye a Estados Unidos y Canadá.
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2015.05.11 13:09 qryq China humilla a Estados Unidos y marca el ritmo de la nueva geopolítica (y 2).

¿Qués es el BAII?
El Banco Asiático de Inversión en Infraestructuras fue propuesto en octubre de 2013 por el presidente chino, XI Jinping, en un discurso ante el parlamento de Indonesia y se constituyó formalmente el 24 de octubre de 2014 en una ceremonia en Beijing con los representantes de los 21 países inicialmente considerados fundadores: China, India, Tailandia, Malasia, Singapur, Filipinas, Pakistán, Bangladesh, Brunei, Camboya, Kazajstán, Kuwait, Laos, Myanmar, Mongolia, Nepal, Omán, Qatar, Sri Lanka, Uzbejistán y Viernam. Es curioso que Indonesia, el país donde se propuso, no farmarse parte inicialmente del mismo, aunque un mes más tarde rectificó y solicitó su ingreso como miembro fundador. Y es significativo que dos países con los que China tiene litigios históricos, como India y Viernam, se hayan unido desde el primer momento, porque pone de manifiesto que la política que se recoge en el "Consenso de Beijing" es algo más que una mera retórica.
Como también se ha dicho antes, en la actualidad son 57 los países que forman parte del BAII, entre ellos Rusia, Sudáfrica, Irán y Brasil. En total, son 34 países asiáticos, 18 europeos, 2 africanos, 2 oceánicos y un latinoamericano.
Tiene como objetivos la infraestructura básica, la electricidad, el acceso al agua potable, la construcción de plantas de tratamiento de aguas residuales y medios de transporte. Tendrá una capitalización cercana a los 100.000 millones de dólares, en su mayor parte proporcionados por China.
No obstante, y para diferenciarse de Estados Unidos en el BM y el FMI, China rechaza expresamente tener la mayoría del capital en votos por lo que su decisión nunca será un motivo de bloqueo mecánico. En el FMI basta con que EEUU diga que no para que algo no se haga. En el BAII no habrá una situación similar y no habrá condiciones a los países, al estilo de los "programas de ajuste" del FMI, porque con el BAII <>, como no hacen el FMI o el BM. Es decir, por mucho que algunos quieran hacer ver que el BAII es un "complemento" del FMI y el BM, no tiene nada que ver, es su claro reemplazo.
China no quería bajo ningún concepto que se pudiese comparar con su modelo de "poder blando" con los métodos utilizados por Estados Unidos en los últimos 70 años con las instituciones surgidas de Bretton Woods. Es decir, sin ser considerado un país que se entromete en los asuntos de los países y con presiones políticas en ellos. Eso lo logra claramente con el BAII.
Pero también China lleva años fortaleciendo su moneda, el yuan o remimbi, internacionalizados ya de hecho, que no de derecho y que en su prioridad número uno es la presión que viene haciendo para que se revisen las cuotas de la cesta de la moneda de reserva del FMI. Ese es el comienzo del fin del dólar, la baza estratégica de China porque no falta mucho para que el yuan o remimbi (que significa "moneda del pueblo") va de forma clara a convertirse en moneda de reserva mundial, disputando la hegemonía del dólar.
En la actualidad, el yuan ya es el quinto medio de moneda de pago de los países, y eso que no es una divisa internacional aún. Mientras la moneda china sube, el dólar baja. Por ejemplo, si hace cinco años el dólar suponía el 72% de las reservas de divisas del mundo, ahora es sólo el 62%, mientras el yuan ya está al 2,9% (y no es divisa internacional todavía) y las previsiones son que este mismo año se sitúe en el 10% si, tal y como quiere China y se verá obligado a reconocer el FMI, la moneda china pasa a ser parte del sistema de derechos especiales de giro. El camino de la desdolarización se acelera, y tanto China como Rusia tienen mucho que ver en ello.
El BAII se suma a otra iniciativa que ya está en marcha y que será operativa el año que viene: el Banco de Nuevo Desarrollo de los BRICS. En él China también va a tener una participación mayoritaria, el 41% del capital. Serán otros 100.000 millones de dólares, de los que Rusia, Brasil e India pondrán cada uno 18.000 millones, Sudáfrica 5.000 millones y el resto China. Luego en el 2016, habrá otro orden geopolítico claro, especialmente en el ámbito económico aunque no sólo. Todos los países BRICS están también en el BAII.
Esto es lo que preocupa a Estados Unidos y a la Unión Europea. Por eso los esfuerzo de Washington para contener lo incontenible. El nacimiento de una estructura multilateral debe ser bienvenido porque asentado el poder económico, vendrá un subyacente poder militar capaz de bloquear a la OTAN. En este sentido, es relevante lo que ocurra este año en la XIV Cumbre de Jefes de Gobierno de la Organización de Cooperación de Shangai (OCS) que tendrá lugar en China, aún sin tener fecha señalada, aunque inicialmente se hablaba de ella para este verano. No obstante, y dado que Irán a pedido ser miembro de pleno derecho de la OCS y que el 30 de junio es la fecha tope para la firma definitiva o no del acuerdo sobre su programa nuclear, es muy probable que se retrase dicha cita hasta finales de año, si el acuerdo finalmente no se rubrica, dado que Irán habla de que sólo habrá firma final si ese mismo día se levantan las sanciones a que está sometido, a lo que se opone Estados Unidos.
Adios a la Asociación Trans.Pacífico (ATP)
Pero esto no es todo. El BAII ha herido de muerte a la Asociación Trans-Pacífico (Australia, Brunei, Canadá, Chile, Japón, Malasia, México, Nueva Zelanda, Perú, Singapur, Estados Unidos y Viernam) que con tanto empeño y cuidado montó Estados unidos para dejar fuera a China. Ahora los chinos le han devuelto el golpe, y con creces. También por la chulería y prepotencia de Estados Unidos, que durante tres años ha estado retrasando el acuerdo final de la ATP por un enfrentamiento con Japón y Canadá por temas agrícolas y de la industria automotriz. A primeros de este año el Congreso de los Estados Unidos decidió retrasar el tema hasta 2017, lo que dio argumentos a algunos de los integrantes de la ATP (como Australia y Singapur, por ejemplo) para sumarse al BAII. Ahora, una vez que estos dos países han decidido formar parte del BAII, el Comité del Congreso estadounidense ha decidido tramitar la ATP "por la vía rápida". Pero, al igual que con el dilema al que se enfrenta Japón, aunque se haga, también llega tarde.
Este impasse ha sido, también, aprovechado por China, que ha propuesto que una vez esté en marcha el BAII, se ponga en funcionamiento el Área de Libre Comercio del Asia-Pacífico, con lo que liquida la ATP. Aquí los países latinoamericanos tendrán que estar, algo que ahora no han hecho en el BAII.
Tomando todo esto en conjunto, representa la más formidable humillación hecha jamás a Estados unidos y el desafío geopolítico de este siglo XXI que se va a parecer muy poco al siglo XX. Es cierto que aún hay incógnitas que despejar, como si el proceso de desdolarización de la economía va a ser lento o rápido y, por el momento, tanto el BAII como el BD de los BRICS van a funcionar con dólares- pero es un hecho que todo indica que esto es coyuntural, como se ha indicado antes con el interés de China por internacionalizar el yuan o remimbi.
Estamos asistiendo a la profundización estratégica de China y a unos momentos que pasarán a la historia. La creación del BAII supone el fin del rol de Estados unidos como garante del sistema económico mundial. No es extraño que China haya considerado "una aplastante victoria" la incorporación de tantos países al BAII pese a las presiones de Estados Unidos.
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